POV: JASPER
O corpo dela estava mole, desfalecido, respirando com dificuldade. Cada vez mais pesada em meus braços.
— Não me machuca... — murmurou, quase em um fio de voz, os olhos se fechando aos poucos. — Por favor... não deixem me machucar mais...
Aquelas palavras me travaram.
Não pelo conteúdo. Mas pelo tom. Pela fraqueza. Pela dor que escapava por entre os dentes dela, como se engolir o próprio medo fosse rotina.
Um incômodo apertou meu peito com força. Algo entre raiva e impotência. Fechei os olhos por um segundo e deslizei o nariz devagar pelos fios sujos de sangue colados à pele do rosto dela, inalando o cheiro familiar que já parecia gravado em mim.
— Você está segura comigo, Savanna. — sussurrei contra seu cabelo, sem pensar, apenas sentindo. — Ninguém mais vai te ferir.
"Isso foi... sensível. Você tá bem?"
Ignorei meu lobo. Pela primeira vez, não tinha espaço para sarcasmo. Sentia a necessidade de protegê-la tão forte que nem parecia minha.
Liberei parte do meu poder, deixando minha presença envolver o corpo dela com firmeza. Não era só sobre força física. Era sobre segurança.
— Quem… — ela arfou, a voz quase inaudível, o corpo ainda tremendo em meus braços. — Qual o seu nome?
Olhei para ela, surpreso por ainda conseguir formular uma pergunta naquela condição. Os lábios dela estavam entreabertos, ressecados. O rosto, agora mais pálido, parecia esculpido em dor e exaustão. A testa suava, os olhos piscavam devagar, quase apagando.
— Jasper. — respondi baixo, soltando o ar num suspiro tenso, sentindo meu peito apertar.
Mas antes que eu dissesse mais alguma coisa, os olhos dela se fecharam de vez. O corpo perdeu o último resquício de força. Savanna desmaiou nos meus braços, como se finalmente tivesse permitido a si mesma parar de lutar por um segundo.
— Droga... — murmurei, ajustando melhor o peso dela nos braços. — O que você fazia aqui, Savanna? E por que diabos te tratavam como uma prisioneira?
Percorri os olhos por cada parte do corpo dela enquanto a mantinha firme em meus braços. O que vi me deixou tenso. Feridas por todo lado. Cortes profundos nas costelas, como se garras tivessem sido arrastadas com força. Os pulsos e tornozelos marcados com a pele arroxeada, ainda inchada, algemas. Sinais de contenção. Prisioneira. Mas não era só isso.
Notei manchas escuras nas coxas, sangue seco misturado a hematomas. Nos ombros, um desenho estranho feito por cortes, garras também, mas com uma precisão doentia. Como se alguém quisesse deixar um símbolo. Um aviso. Ou marcar território.
E então vi. As marcas de dedos no rosto. Impressas com violência. E pior: mordidas. Marcas de presas em pontos específicos do corpo. Deliberadas. Como se tivessem feito questão de ferir, de humilhar, de gravar dor nela.
Travei o maxilar. O sangue ferveu nas veias.

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