POV: SAVANNA
— Jasper a trouxe diretamente para o hospital para ser tratada. Observando suas feridas, diria que sua hostilidade está sendo dirigida aos lobos errados, Savanna.
Olhei para minhas pernas.
Estavam cobertas de marcas, cortes profundos, arranhões e hematomas arroxeados, misturados a cicatrizes abertas das garras e mordidas brutais deixadas por Raiker. A dor ainda queimava sob a pele, mas o que doía mais era o que aquelas marcas representavam.
Fechei as pernas imediatamente, pressionando uma contra a outra, em uma tentativa desesperada de esconder aquilo. A vergonha me engoliu por dentro. Me senti suja. Imunda. Violada de um jeito que não conseguia explicar com palavras. Desviei o olhar. Não queria ver o rosto de ninguém. Não queria ver a expressão de pena. Ou pior… de julgamento.
— Me desculpe — sussurrei, quase sem voz, mordendo o interior da bochecha com força até sentir o gosto metálico do sangue.
Não consegui sustentar o olhar de Jasper. Nem mesmo de Airys. Senti meu corpo encolher, os ombros caindo, o ar preso na garganta.
— Ouvi os guardas… — continuei, com a voz entrecortada — dizerem que o Alfa Supremo é irmão de Raiker. Que é tão cruel e mortal quanto ele…
— Vocês não fazem ideia do monstro que o Raiker é, e se... — minha voz falhou.
Engoli em seco, mas o movimento ativou a dor latejante nas costelas. Arfei, gemendo baixo, e levei a mão instintivamente ao lado do corpo. A fisgada foi intensa, cortante. Fechei os olhos por um segundo, fazendo uma careta enquanto tentava controlar a respiração curta e irregular.
"Você tá se mostrando fraca." Rangendo as presas, minha loba ergueu as orelhas hostil.
— Eu tô tentando ficar de pé. — Travei os dentes.
— Daimon não é como o irmão — a voz firme de Airys rosnou ecoando no ambiente, me fazendo abrir os olhos de imediato.
Ela deu um passo à frente.
Imediatamente, meu corpo recuou. A maca rangeu sobre meu corpo, os ombros tensos, como se eu esperasse um ataque a qualquer momento. Era instintivo. Eu não confiava. Nem queria confiar.
O olhar de Airys era duro, mas não agressivo. Havia autoridade ali, mas também algo que me incomodava: convicção.
— Meu companheiro é um líder justo que protege seu povo — ela afirmou, com tanta certeza que me irritou.
— Mas eu não sou o povo dele — soltei entre dentes, com um rosnado abafado seguido de um gemido de dor que escapou involuntariamente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO