POV: AIRYS
— Acredito que Savanna seja uma refém de Raiker. — Ele continuou, a voz repleta de convicção. — Vi o ódio nos olhos dela. Aquilo não foi fingimento. Ela pode nos levar até ele... e nos dar o fim dessa guerra.
Minha testa franziu, a tensão voltou com força, como se algo dentro de mim gritasse.
— Tem certeza de que é só por esse motivo? — Rosnei com mais acidez do que planejava, a irritação fervendo em minha garganta junto com a insegurança que me envergonhava.
As pupilas dele se contraíram, e um músculo em sua mandíbula vibrou.
“Patética, na minha opinião...” Rielly bufou dentro de mim, impaciente. “Você tem valor demais, Airys. Esse brutamontes só tem olhos para você. Ele não é como aquele inútil do Malik.”
Engoli seco, minhas mãos se fecharam sobre o tecido da camisa dele, as unhas pressionando o peito musculoso. A respiração saiu entrecortada, minha cabeça tombou para o lado instintivamente, os olhos semicerrados analisando o brilho escuro e pulsante dos olhos de Daimon.
— Pequena... — A voz de Daimon desceu em um grave rouco, dando mais um passo firme à frente, me encurralando ainda mais contra o pilar. Sua presença me envolveu por completo, abafando o ar ao redor. Ele tocou meu queixo, firme, erguendo meu rosto até nossos olhos se encontrarem.
Meu coração disparou.
Seus olhos estavam semicerrados, o tom terroso cintilava em vermelho vivo, predatório. Sua respiração quente roçou contra minha pele quando seu nariz deslizou lentamente pela curva do meu rosto, inalando meu cheiro como um viciado. Um arrepio violento percorreu minha espinha, meu corpo reagindo antes mesmo da minha mente entender o que estava acontecendo.
— Nunca existiu... — ele sussurrou em minha pele, a voz baixa, carregada de autoridade e sentimento bruto. — E nunca existirá outra além de você para mim. Não ouse duvidar do que existe entre nós... nem do que despertou aqui.
A intensidade de suas palavras rasgou minha resistência. Arfei. Meus olhos vacilaram por segundos que pareceram eternos.
Sua outra mão, grande e quente, entrelaçou a minha, os dedos encaixando como se fossem moldados um para o outro. Ele a guiou até seu peito, acima do coração que batia forte, firme, brutal... e sincero.
— Sente isso? — murmurou. — É seu. Sempre foi.
— Sinto muito... — minha voz saiu baixa, quase um sussurro embargado, carregado de culpa. — Não há dúvidas, é só que...
— Te deram feridas demais... — ele completo com um rosnado sutil, a voz grave e direta. — Feridas que sangram as vezes.
Meus lábios se entreabriram, surpresa pela precisão de suas palavras. Meus olhos vacilaram, e um nó se formou na garganta. A vergonha me corroía por dentro, mas não consegui desviar o olhar. O calor da mão dele ainda apertava a minha, e seu toque firme me impedia de recuar.
— Só não deixe que essas marcas definam quem você é, minha Luna. — completou ele com firmeza, cada palavra marcada por um tom rouco e possessivo. — Você é mais do que o que fizeram com você.
Sorri de canto, apenas com um lado dos lábios, erguendo a cabeça levemente enquanto envolvia os braços em seu pescoço. Puxei Daimon para um beijo profundo, faminto, cheio de entrega e anseio. Minhas mãos seguravam firme sua nuca enquanto meus lábios buscavam os dele com vontade.

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