POV: AIRYS
Assenti em silêncio, e seguimos em direção ao conselho, meu coração pulsando firme contra o peito. O ar parecia mais denso a cada passo. Algo em mim gritava que nada seria como antes depois daquela reunião.
Ao entrarmos na sala do conselho, encontrei as Irmãs Celestiais já nos esperando. Sentadas com a postura impecável ao redor da mesa, tomavam chá com uma calma que contrastava com a tempestade que nos acompanhava.
A mais velha, de cabelos prateados e olhar sereno, pousou a xícara no pires com elegância. Ao seu lado, a cega servia o chá com precisão surpreendente. Os gestos delicados e precisos não deixavam dúvida: ela não enxergava absolutamente nada, mas parecia ver tudo.
— Eu vejo além do hoje. — Ela disse de súbito, como se tivesse invadido minha mente. Um calafrio percorreu minha espinha, fazendo meus ombros se contraírem levemente.
Arregalei os olhos, sem saber como responder, mas ela apenas sorriu.
— É perceptível a tensão em seu corpo, Luna. Seus batimentos, sua aura... você está inquieta.
Engoli em seco, um pouco sem graça. Me curvei em respeito, tombando a cabeça.
— Me desculpe... Não foi minha intenção ser desrespeitosa. — Murmurei, sentindo Daimon se posicionar firme atrás de mim como uma sombra viva, imponente e silenciosa.
— Não foi, minha jovem. — A Irmã Celeste respondeu com gentileza, mas sua voz trazia um peso. — Apenas carrega o coração em alerta. E com razão.
Ela indicou a cadeira ao seu lado. Assenti e me aproximei. Quando me sentei, os pelos dos meus braços se eriçaram.
“Há algo errado aqui...” sussurrou Rielly, em um tom baixo e feroz. “Não gosto do cheiro disso, Airys.”
— Que bom que retomou o controle da sua alcateia, Supremo. — A mais jovem das irmãs disse com um leve aceno de cabeça. Seus olhos celestiais eram quase hipnóticos, mas o tom que usou era direto. — Mas receio que esta guerra ainda está longe de terminar.
Meu coração acelerou no mesmo instante, e vi o maxilar de Daimon se contrair. Ele não respondeu de imediato. Apenas caminhou ao redor da mesa com passos firmes e controlados, o corpo tenso, os ombros largos erguidos, a presença dominadora preenchendo todo o ambiente. Quando se sentou ao meu lado, a cadeira rangeu sutilmente sob seu peso.
Ele inclinou levemente a cabeça de lado, o gesto frio e calculado que eu conhecia tão bem. Seus olhos em tom terroso cintilaram em vermelho, sem piscar, e o queixo se ergueu com aquela imponência inegável.
— Fale sobre o presságio. — A voz dele saiu seca e cortante. — O que exatamente viram?

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