POV: DAIMON
— Bem, precisamos... — A irmã de olhos celestiais gaguejou, a voz frágil, sentindo o peso da minha presença.
— Não! — Bradei com força, a voz reverberando como um trovão dentro do salão. Airys deu um passo para trás, os olhos arregalados, o peito arfando com rapidez. Seu olhar estava preso em mim, medindo cada movimento, avaliando cada risco.
— Não irei sacrificar meu lobo! — Continuei, os punhos cerrados, o maxilar travado. — Não vou trocá-lo por outro. Não vou abandoná-lo como a própria Deusa fez.
O silêncio se quebrou com um estalo. Meu braço esquerdo se moveu sozinho.
“Idiota!” Fenrir rugiu, e meu corpo reagiu na hora. O lado esquerdo ficou tenso, rígido, até que ele tomou o controle. “Já disse que você não decide isso sozinho!”
Sua mão se ergueu, agarrou meu próprio pescoço com força, as garras arranharam a pele como se tentasse me calar por dentro.
O lado vermelho do meu olhar queimava. As pupilas dilataram, o branco dos olhos se tingia em carmesim. Fenrir rosnava, a pele pulsava sob a superfície como se prestes a se rasgar. Eu podia sentir sua respiração em minha mente, o som abafado de suas patas raspando por dentro da minha carne.
“Temos filhotes!” Ele continuou arfando fundidos em um único foco. “Minha linhagem continuará. Não será você quem vai colocar isso em risco!”
— Cala a boca, Fenrir. — Rosnei com a voz arrastada, grave, trincando os dentes enquanto tentava recuperar o controle do meu braço. A mão esquerda se movia com violência, como se não me pertencesse mais. Puxei a outra com força, mas Fenrir me lançou brutalmente para trás, arrastando o corpo contra a parede e fazendo o chão tremer sob meus pés.
— Saiam todos daqui! — Berrei, a voz ecoou como um trovão, carregada de pura fúria. O mármore ao redor trincou, o ar se tornou mais denso, sufocante.
— Daimon, se acalme! — Airys deu um passo à frente. Seus olhos estavam arregalados, mas firmes. O coração dela batia acelerado. Eu podia ouvir o sangue correndo pelas veias do seu pescoço. — Meu amor... nós vamos encontrar uma saída. Juntos. Sem sacrificar ninguém.
Me afastei. Três passos pesados para trás, tombando a cabeça de lado com os olhos semicerrados. Minhas pupilas estavam dilatadas, o vermelho se intensificava. A pele sob meu pescoço ardia, as garras de Fenrir estavam para fora, rasgando a carne por dentro, empurrando o limite da forma.
— Não se aproxime. — Ordenei, com a voz baixa, rouca, os ombros tensos, o corpo trêmulo sob o esforço de me conter. — Não agora.
“Não há vida sem sacrifícios, Alfa. Sabemos disso... Sempre soubemos, desde o maldito pacto.” Fenrir rugiu dentro de mim, a voz ecoando como um trovão em minha mente. As garras dele cortaram mais fundo, o sangue escorreu pela clavícula, quente, latejante. “Você precisa proteger a nossa família. Faça o necessário. Seja o monstro que ela precisa, me sacrifique.”
— Não seja burro, fera. — Rosnei entre dentes, ofegante, o ar rasgava minha garganta enquanto lutava contra o aperto da minha própria mão. — Sua existência será apagada de vez.

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