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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 347

POV: DAIMON

Ele sempre foi brutal. Instintivo. Letal. Nunca hesitou, nunca duvidou, nunca recuou. Mas agora... ele rugia baixo, quase como um lamento contido, e suas garras arranhavam as paredes da minha mente como se tentasse se agarrar a algo para não desabar.

Era medo. Era desespero.

A dor dele estava se fundindo à minha. Como uma ferida aberta, compartilhada. Era excruciante. Sentia como se nossa alma estivesse sangrando. Como se estivéssemos à beira de perder tudo o que somos, tudo o que fomos.

“Vocês não podem!” rugiu Fenrir com mais hostilidade, sua voz reverberando dentro de mim como um trovão rasgando carne. Senti o instante exato em que nossa mente vacilou. Os impulsos dele tomaram o controle com força, abruptamente.

Meus dedos se fecharam com brutalidade, finquei as mãos contra o chão até os ossos da palma pressionarem o solo duro. Curvei o corpo para frente, arfando com o controle se perdendo rápido demais. A mutação começou. Violenta. Dolorosa. O som dos ossos estalando sob a pele preencheu o ambiente.

“Vocês são fracos demais para fazer o necessário!” Fenrir arranhava o limite da minha consciência, rosnando feroz, arfando como um animal prestes a romper a própria jaula. “Não conseguem manter as crianças seguras! Eu escolhi Daimon. E eu posso escolher o fim também. Minha morte. Minha inexistência.”

A fúria dele me dilacerava por dentro. As garras rasgavam o fundo da minha mente. Meus olhos alternavam, o vermelho preenchendo o esquerdo por completo. Minhas presas surgiram. O ar ficou pesado. Meu corpo tremia com a carga do poder represado prestes a explodir.

— Você vai matar Rielly desse jeito! — gritou Airys, a voz embargada pelo desespero, enquanto se aproximava mesmo com o perigo pulsando no ar. Suas mãos tocaram meus fios, os dedos firmes, insistentes, corajosos. — Está abrindo mão dela!

Minha respiração falhou por um segundo. Fenrir congelou.

— Fenrir, se acalme... — ela sussurrou firme, as palavras carregadas de dor e coragem. — Escute a minha voz. Nós te amamos. Eu, Rielly, nossos filhos... Você é parte da nossa família. Não vamos deixar você sozinho.

A fera rosnou mais baixo, o som não era mais ameaça, era sofrimento. As orelhas erguidas em alerta vacilaram. A força dele ainda me dilacerava, mas já não era fúria pura... era medo. Era agonia.

“Amor é uma fraqueza, Luna.” A voz de Fenrir ecoou dura, sem hesitação, fria. Ergueu nossa cabeça com brutalidade, os olhos faiscando em vermelho. “E eu não sou fraco!”

— Pequena, corra! — ordenei com a garganta travada, sentindo os músculos se expandirem de forma descontrolada. Os pelos começaram a se espalhar pela pele, as garras romperam pelos dedos com um estalo seco, projetando-se por completo. Os ossos cederam em sequência, rangendo alto, abrindo espaço para o monstro que ele era.

A sede por carne e sangue latejava sob minha língua. Salivei sem controle. O cheiro de tudo ao redor era intenso demais. As batidas do coração de Airys ecoavam como um tambor que me provocava, me puxava, me rompia.

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