POV: DAIMON
Ele sempre foi brutal. Instintivo. Letal. Nunca hesitou, nunca duvidou, nunca recuou. Mas agora... ele rugia baixo, quase como um lamento contido, e suas garras arranhavam as paredes da minha mente como se tentasse se agarrar a algo para não desabar.
Era medo. Era desespero.
A dor dele estava se fundindo à minha. Como uma ferida aberta, compartilhada. Era excruciante. Sentia como se nossa alma estivesse sangrando. Como se estivéssemos à beira de perder tudo o que somos, tudo o que fomos.
“Vocês não podem!” rugiu Fenrir com mais hostilidade, sua voz reverberando dentro de mim como um trovão rasgando carne. Senti o instante exato em que nossa mente vacilou. Os impulsos dele tomaram o controle com força, abruptamente.
Meus dedos se fecharam com brutalidade, finquei as mãos contra o chão até os ossos da palma pressionarem o solo duro. Curvei o corpo para frente, arfando com o controle se perdendo rápido demais. A mutação começou. Violenta. Dolorosa. O som dos ossos estalando sob a pele preencheu o ambiente.
“Vocês são fracos demais para fazer o necessário!” Fenrir arranhava o limite da minha consciência, rosnando feroz, arfando como um animal prestes a romper a própria jaula. “Não conseguem manter as crianças seguras! Eu escolhi Daimon. E eu posso escolher o fim também. Minha morte. Minha inexistência.”
A fúria dele me dilacerava por dentro. As garras rasgavam o fundo da minha mente. Meus olhos alternavam, o vermelho preenchendo o esquerdo por completo. Minhas presas surgiram. O ar ficou pesado. Meu corpo tremia com a carga do poder represado prestes a explodir.
— Você vai matar Rielly desse jeito! — gritou Airys, a voz embargada pelo desespero, enquanto se aproximava mesmo com o perigo pulsando no ar. Suas mãos tocaram meus fios, os dedos firmes, insistentes, corajosos. — Está abrindo mão dela!
Minha respiração falhou por um segundo. Fenrir congelou.
— Fenrir, se acalme... — ela sussurrou firme, as palavras carregadas de dor e coragem. — Escute a minha voz. Nós te amamos. Eu, Rielly, nossos filhos... Você é parte da nossa família. Não vamos deixar você sozinho.
A fera rosnou mais baixo, o som não era mais ameaça, era sofrimento. As orelhas erguidas em alerta vacilaram. A força dele ainda me dilacerava, mas já não era fúria pura... era medo. Era agonia.
“Amor é uma fraqueza, Luna.” A voz de Fenrir ecoou dura, sem hesitação, fria. Ergueu nossa cabeça com brutalidade, os olhos faiscando em vermelho. “E eu não sou fraco!”
— Pequena, corra! — ordenei com a garganta travada, sentindo os músculos se expandirem de forma descontrolada. Os pelos começaram a se espalhar pela pele, as garras romperam pelos dedos com um estalo seco, projetando-se por completo. Os ossos cederam em sequência, rangendo alto, abrindo espaço para o monstro que ele era.
A sede por carne e sangue latejava sob minha língua. Salivei sem controle. O cheiro de tudo ao redor era intenso demais. As batidas do coração de Airys ecoavam como um tambor que me provocava, me puxava, me rompia.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO