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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 348

POV: DAIMON

Tive que cravar as garras contra a pedra para não perder o controle. Senti minha espinha estremecer, cada suspiro de Fenrir vinha carregado de um desespero que nem mesmo ele sabia nomear. Era dor, era perda, era um grito de um lobo que amou e foi deixado para morrer.

— Basta. — murmurei, mas minha voz saiu rouca, trêmula. — Isto é insuportável... Precisa parar Fenrir!

“Agora... Me diz que devo abrir mão, sacrificar o que amo por seus caprichos?” — Fenrir uivou alto, a garganta cerrada de raiva e dor. “Me arraste para o inferno, mas não terá minha filhote!”

O uivo rompeu o céu. Os músculos do meu corpo começaram a contrair, e a transformação, que antes se completava com fúria, agora recuava aos poucos. Os pelos voltaram à carne, as garras retraíram, o som dos ossos se ajustando de volta ecoava como uma tortura.

Caí de joelhos.

Minhas mãos tremiam. Tampei a boca com força, tossi, e o gosto metálico do sangue invadiu minha língua. Quando abri os dedos, vi o vermelho vibrante tingindo minha palma. Arfei, ofegando, o peito apertado, o coração pesando como se não fosse mais meu.

Ajoelhado na neve gelada, nu sob a tempestade, encarei o céu. O frio cortava meus músculos como agulhas. Meus punhos se fecharam com tanta força que os ossos estalaram. Ergui os braços, o sangue escorrendo pelos dedos enquanto fitava a Lua.

— Fenrir nunca mereceu isso! — gritei com a garganta seca, a raiva queimando dentro de mim. — Por que faz isso com ele?

Foi então que senti.

Ela estava atrás de mim.

A presença dela invadiu o ar. Majestosa. Intocável. Inumana. Cada gota de suor congelou, cada fio de cabelo se eriçou.

Tomei fôlego, e girei lentamente o rosto por cima do ombro. Os olhos semicerrados por causa da luz branca demais, forte demais. Era como olhar o próprio julgamento. Ela não precisava falar.

A neve ao redor parou no ar, suspensa. O som cessou. Até o vento se curvou diante dela.

Fenrir rosnou baixinho dentro de mim, as orelhas erguidas, os olhos ainda acesos.

“Ela sempre foi assim...” sibilou. “A Deusa que pede tudo... e dá quase nada.”

— Seu lobo pode não se lembrar, mas foi parte de seu acordo... Eu o permiti viver vidas demais até alcançar sua metade perfeita, seu elo... Sua companheira destinada. — A voz de Selene soou firme atrás de mim, como um veredito, fria e definitiva. Seu tom não tremia, não hesitava. Era o som de uma divindade acostumada a não ser questionada.

Virei devagar, o pescoço latejando pela força do movimento. Meus olhos semicerraram com o impacto da luz ao redor dela.

A loba branca estava parada no topo da neve, imponente. Sua pelagem era densa e imaculada, olhos dourados como fogo comprimido. O vento parava em volta dela. Cada passo que dava cravava autoridade sobre a terra.

— Fenrir sabia que o preço por seus anseios seria alto demais! — completou, sem alterar o tom.

Cerrei o maxilar. O sangue escorria do canto da minha boca. Meus punhos fecharam com força.

Me ergui.

Mesmo com os músculos protestando, com a dor que irradiava das costelas e do estômago, me levantei. O vento empurrou meu corpo, mas resisti, sentindo o gelo morder os ossos.

Cuspi sangue no chão, o gosto ainda amargo na boca. Arfei pesado e ergui o queixo com desprezo. Meus olhos fitaram os dela com raiva contida, o vermelho ainda queimando nas íris.

— Por que não destinou alguém a Fenrir na primeira vida? — cuspi as palavras com a voz rouca, sem recuar. — Você o queria na coleira, Deidade. Quis vê-lo rastejar. Quis o desespero dele para que você tivesse o que queria.

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