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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 350

POV: AIRYS

Ela se afastou com leveza, como se não tivesse acabado de soltar aquilo.

— Espere até o Solstício. — orientou com calma, observando minha expressão. — Não permita que seu companheiro saiba de nada. Quando o momento do elo chegar... agiremos.

"Não podemos, Airys!" rosnou Rielly, andando em círculos dentro de mim, irritada e agitada. "Ele vai sentir! Vai perceber! Daimon não aceita ser enganado!"

— Eu sei... — suspirei, quase sem voz. — Mas se for por ele... por eles... eu aguento mentir. Para os proteger.

— Você tem certeza sobre isso, Luna? — A voz da segunda irmã Celeste soou logo atrás de nós, firme, mas carregada de uma preocupação quase sagrada. Seus olhos nos avaliaram com atenção, como se buscassem encontrar fraqueza onde não existia. — É um grande sacrifício...

Parei. Virei devagar para encará-la. Minha pele ainda arrepiava com o que havia ouvido antes. A sensação de frio vinha de dentro. Não era o clima, era o peso da escolha.

— Se é a única maneira de manter minha família segura... — respirei fundo, ajustando minha postura, os ombros retos, o peito erguido mesmo com o coração esmagado. — E se isso também libertar meu companheiro da maldição... então sim, estou disposta a me sacrificar por eles.

"Por nós." completou Rielly em minha mente, com o tom carregado de emoção, embora tentasse disfarçar com sarcasmo. "A idiota corajosa que eu amo. Vira-lata burra e valente..."

Minha garganta apertou. Mordi por dentro do lábio, segurando o suspiro.

— Eu os protegerei. — declarei com firmeza, como uma promessa gravada na alma.

A irmã Celeste me olhou com mais atenção. Não respondeu de imediato. Depois de um breve silêncio, um leve sorriso curvou seus lábios. O tipo de sorriso que reconhece a dor e a honra ao mesmo tempo.

— É de fato, uma Lupina fascinante... — disse com serenidade. A outra assentiu em silêncio ao lado dela.

Ambas se afastaram com passos graciosos, como se caminhassem sobre o próprio tempo.

— Nos vemos no Solstício. — alertaram em uníssono. — E lembre-se: observem os sinais... Há um mal a caminho.

Meu corpo ficou parado, mas por dentro, tudo se mexia. O peito arfava devagar, os olhos pesavam, o calor de lágrimas retidas queimava sob as pálpebras. Meus dedos se fecharam lentamente. Eu sabia que tinha acabado de selar um destino. E mesmo assim... faria de novo.

"Vamos dar um fim nessa merda de maldição." rosnou Rielly, mais suave do que o normal. "Mas me promete... que você vai sobreviver também."

Fechei os olhos, sentindo o toque gelado do vento passar pelos fios do meu cabelo. Arqueei as sobrancelhas, suspirei fundo.

— Eu prometo... — sussurrei para ela.

Esperei até que elas sumissem de vista. Permaneci imóvel por alguns segundos, os punhos cerrados ao lado do corpo. Só então soltei o ar preso nos pulmões e caminhei em direção à porta principal da mansão. Meus pés estavam pesados, cada passo parecia me puxar para dentro de mim mesma.

Me sentei nos degraus da entrada, ignorando o frio que cortava a pele, ignorando o vento forte que batia contra meus cabelos, bagunçando tudo. A tempestade castigava o céu. As nuvens dançavam violentas, como se refletissem o caos que pulsava dentro do meu peito.

O vazio que ficou sem ele... era sufocante.

Sem o calor do corpo dele colado no meu.

Sem o tom autoritário da voz dele ecoando no ambiente.

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