POV: AIRYS
Suspirei fundo, sentindo a garganta fechar. E corri.
Os pés afundaram na neve molhada. As pernas tremeram. Não hesitei. Me joguei com força contra ele, o impacto fazendo seu corpo recuar um passo.
Envolvi sua cintura com os dois braços, o rosto se afundando em seu peito nu e quente. Me agarrei com tudo. Tremi.
Não só pelo frio. Mas pela saudade. Pelo medo de perdê-lo. Pela angústia de tê-lo visto se afastar como se carregar o mundo sozinho fosse a única saída.
— Você fugiu... — murmurei contra sua pele. A voz falhou. Os lábios tremeram. As lágrimas escorreram sem que eu pudesse segurar. — Me deixou preocupada.
Daimon não respondeu de imediato.
O corpo dele estava rígido. Os braços ainda ao lado do corpo, como se lutasse com algo dentro de si. Quase recuei. Quase. Mas então, senti.
Uma das mãos dele subiu lentamente, enfiando os dedos por entre os meus fios molhados. A outra me puxou com força para mais perto, colando meu corpo ao dele.
Os braços dele me envolveram com firmeza.
Quente. Forte. Dominante.
Um suspiro escapou de mim. Fechei os olhos, sentindo o calor de sua pele contra a minha. O cheiro dele: terroso, masculino, denso. me invadiu e me preencheu. A respiração dele roçou meu pescoço. A mão grande deslizou pelas minhas costas como se quisesse me sentir inteira.
“Ele está aqui.” Rielly sussurrou em paz. “Voltou... Para nós.”
— Foi necessário. — ele sussurrou, a voz ainda carregada de poder, mesmo embargada pelo cansaço. Percebi o leve tremor que atravessou seu corpo nu ao meu toque, mas ele permaneceu firme, como se a dor que o corroía por dentro fosse mais forte do que o frio que o envolvia. — Fenrir precisava descarregar as emoções dele.
Apertei o abraço ao redor da cintura dele.
— Daimon... — chamei com a voz baixa, o nome escapando dos meus lábios como uma súplica. Inclinei o queixo para cima, buscando seu olhar. Queria vê-lo. Precisava.
Ele abaixou lentamente a cabeça, os olhos encontrando os meus. Os tons terrosos da íris estavam mais escuros, quase rubros nas bordas. Carregados demais. Pesados demais. Uma dor silenciosa pulsava neles, oculta sob aquela fachada de frieza imponente.
Meu coração doeu.
— Me deixem ver sua dor... — murmurei com firmeza, arqueando uma sobrancelha, a garganta apertada. — Me deixem acalmar seus temores. Me deixem ser sua companheira.
Ele sustentou o olhar, imóvel.
Rielly se manifestou em um rosnado abafado em minha mente. "B**e nele se ele recusar. Só de te ouvir já deveria se ajoelhar, estúpido irresistível."
Daimon esboçou um sorriso torto. Cínico, daquele tipo que escondia mais do que mostrava. Aquele maldito sorrisinho que fazia meu peito acelerar.

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