POV: AIRYS
Ele me apertou mais. Como se quisesse me fundir ao corpo dele. Como se o calor do meu abraço fosse a última barreira entre ele e o caos.
Meus dedos afundaram em suas costas nuas, sentindo a pele quente, os músculos tensos, os arrepios que corriam entre os toques.
Solucei contra sua boca, completamente rendida. O gosto dele me invadia com o mesmo desespero que sentíamos, e quando rosnou baixo em resposta, seu peito vibrando contra o meu, soube que ele também estava em pedaços.
Sua mão agarrou meu quadril com força, me puxando contra ele enquanto o beijo se tornava mais fundo, mais urgente. Sua língua se movia com domínio, explorando minha boca como se quisesse se ancorar ali, como se minha presença fosse a única coisa mantendo-o inteiro.
Arfei entre suspiros quando ele me ergueu nos braços com facilidade, me agarrando ao pescoço dele, instintivamente envolvendo minhas pernas ao redor de sua cintura. Senti seu calor, o cheiro terroso, viril, a tensão que corria sob a pele quente de seus ombros nus. Meus dedos se cravaram em sua nuca.
Daimon não interrompeu o beijo. Se virou comigo nos braços e caminhou firme para dentro da casa, como se o mundo lá fora não importasse, como se apenas nós dois existíssemos. Atravessamos o corredor até o nosso quarto. Seus passos ecoavam, precisos, decididos. Ele empurrou a porta do banheiro com o ombro, sem me soltar.
Me apoiou sobre a pia com um movimento firme e cuidadoso. Nossos lábios se separaram por um segundo, ambos ofegantes. Meus pulmões imploravam por ar, o peito subia e descia rápido. Ele me manteve ali, cercada, com as mãos grandes apoiadas ao lado do meu corpo, como uma cela segura e quente.
Seus olhos me prenderam, densos, escurecidos, carregando um peso que me apertava o coração.
— Não te acho fraca. — Ele sussurrou, rouco, a voz mais grave do que nunca. — Sou eu que estou fraquejando... e falhando. E não aceito isso.
— Você não está fracassando. Isso não depende de você, Daimon... — soltei com a voz embargada, tentando controlar a emoção, ainda que ela transbordasse em cada sílaba. — Não é justo. Não é justo o que a Deusa Lua está impondo. É uma escolha impossível. E cruel.
Senti seus dedos pressionarem minha cintura com mais força, como se ele estivesse se agarrando à minha presença para não afundar de vez. Suspirei contra sua pele quente, minha testa colada à dele, enquanto minhas mãos o tocavam com ternura, acariciando sua nuca e descendo devagar pelos ombros tensos.
— É injusto... — repeti mais baixo, os lábios roçando os dele sem beijá-los. — Mas você não está sozinho nisso.

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