POV: SAVANNA
Arfei, mastigando com raiva. Mas a fome venceu. O gosto do caldo quente misturado aos temperos me fez fechar os olhos por um segundo. Engoli. E, como uma maldita traidora, minha boca se abriu de novo sozinha, pronta para a próxima colherada.
Ele não perdeu tempo. Levou mais uma porção até meus lábios.
— Achei que me dariam comida de prisioneira. — resmunguei de boca cheia, evitando encará-lo.
— Ainda posso providenciar se preferir. — respondeu ele, divertido, encostando os cotovelos nos joelhos enquanto se aproximava mais, quase invadindo meu espaço. — Mas duvido que tenha o mesmo sabor... ou o mesmo cuidador.
— Você é um idiota. — disparei, franzindo a testa, mas sentindo o calor subir do peito para o rosto.
— Idiota com mãos boas para a alimentar. — rebateu, jogando uma piscada preguiçosa como se fosse natural me provocar até arrancar uma reação.
Minha respiração acelerou, minha pele parecia vibrar cada vez que ele falava perto demais.
“Droga, ele é um fofo.” minha loba murmurou manhosa. “Se ele quiser alimentar a gente por outros meios, eu deixo.”
— Além do mais, não alimentamos os prisioneiros. — O tom dele mudou, a voz agora mais seca, arranhada e firme. — E você não é uma inimiga pra mim.
As palavras dele pairaram no ar por um segundo, cortantes pela simplicidade e... confusas.
— Por que não? — questionei num sussurro instintivo, tentando disfarçar o receio que arranhava dentro do peito. Continuei mastigando com pressa, como se a comida pudesse me proteger do peso daquela conversa.
Jasper me encarou sem responder de imediato. Os olhos de amêndoa queimaram nos meus, penetrantes e avaliadores, como se buscasse algo que nem eu sabia que estava mostrando.
Ele se aproximou devagar, e quando vi sua mão se mover na direção do meu rosto, o corpo reagiu antes da mente.
Fechei os olhos com força, o estômago revirando. Estava pronta para o toque brusco, para o golpe, para qualquer coisa que minha história me ensinou a esperar de aproximações masculinas.
Mas o que senti foi o oposto.
A ponta de seu dedo roçou de leve o canto dos meus lábios. Um toque quase tímido, suave, inesperado. Apenas limpando a sopa que havia escorrido. Simples. E ainda assim, me arrepiou inteira.
Abri os olhos devagar, encontrando os dele a centímetros do meu rosto.
Meu corpo reagiu antes que eu tivesse tempo de racionalizar. Estremeci, sentindo um arrepio subir pelas costas, a tensão percorrendo minha espinha como um aviso e um chamado ao mesmo tempo. Meu coração acelerou, os lábios entreabertos com a respiração curta.
“Você é patética.” rosnou minha loba, mas o tom dela soava mais ansioso do que irritado. “Patética... e prestes a pedir outro carinho desses.”
Jasper arqueou a sobrancelha, percebendo o efeito que causava. O maldito sabia. E mesmo assim não recuou. A mão ainda perto demais. O calor do corpo dele me cercando. Aquela maldita aura entre divertida e perigosa me desequilibrava.
— Está com medo de mim, Savanna? — murmurou, baixo, rouco, com um toque de provocação que vibrava direto nos meus sentidos.
— Eu... — gaguejei, sentindo a garganta secar subitamente.

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