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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 356

POV: SAVANNA

Vesti a regata justa, puxei a calça jeans escura com algum esforço, ainda sentia o corpo dolorido em certos pontos, e alcancei um casaco que estava dobrado sobre a cadeira. Bastou tocá-lo para perceber que não era uma peça feminina.

Tinha o cheiro dele.

Levei a gola da blusa ao rosto sem pensar duas vezes, inalando fundo. Um arrepio subiu pela minha nuca. Era um cheiro marcante, quente, envolvente. Madeira bruta, carvalho úmido e... algo levemente adocicado, como gotas de chocolate derretido sobre um bolo quente recém-saído do forno. Familiar e perigoso.

"Você gosta de bolos..." ronronou minha loba, divertida, se revirando de um lado para o outro em minha mente com aquele tom provocativo. "Para onde será que ele vai nos levar? E o que será que ele está aprontando com esse charme disfarçado?"

Suspirei, ajeitando o casaco sobre o corpo. Era largo demais, mas confortável. Me envolvia como se ele me estivesse abraçando por trás, o tecido ainda morno. E isso só piorava as reações que eu tentava conter.

Bufei, sacudindo a cabeça.

— Controle-se, Savanna... — murmurei para mim mesma.

"Fácil falar, difícil ignorar o jeito como ele nos olha como se já soubesse todos os nossos segredos." rosnou minha loba, mais séria agora, mas ainda com aquele fundo debochado.

— Não sei, mas não acho que temos a opção de continuar deitadas nessa cama. — Respondi em pensamento, enquanto calçava as botas com movimentos precisos, esfregando uma mão na outra para ativar a circulação. — Precisamos mapear o local. Ver saídas. Avaliar pontos de fuga.

"Você está certa… Não sabemos o que mais pode nos esperar aqui." murmurou minha loba, espreguiçando-se dentro da minha mente com o cansaço evidente no tom. "Mas me dê alguns minutos, sim? Desde que aquele desgraçado do Raiker nos prendeu, eu não fecho os olhos."

Assenti levemente, sentindo o peso da preocupação pesar nas pálpebras, mas forcei um suspiro fundo, tentando espantar a tensão do peito.

— Descansa. Sei me virar. Você sabe disso. — Falei em voz baixa, mesmo que ela já estivesse recuando em silêncio para o fundo da mente.

Cocei a sobrancelha com a ponta da unha rachada, o gesto involuntário denunciando o cansaço acumulado. Olhei para minha mão, a pele esfolada, os dedos ainda rígidos, e deixei escapar um riso abafado, sem humor.

— É… minha mãe sempre disse que eu me tornaria uma selvagem. — Murmurei entre os dentes, com um meio sorriso torto no canto da boca. — Aparentemente, ela estava certa.

O reflexo no pequeno espelho na parede mostrava uma versão minha mais crua. Olhos atentos, cabelos presos de qualquer jeito, expressão endurecida. Mas ainda havia ali, no fundo do olhar, o instinto.

Instinto de sobrevivência.

"Você é simplesmente linda, Savanna. A loba fêmea mais linda que já conheci." Ronronou minha loba com a voz arrastada, esfregando seu corpo peludo com força na minha mente. "Bem... depois daquela menina encantadora dos olhos incomuns. Mas você ainda é minha favorita."

— Ah, sua traidora. — Bufei com uma risada abafada, balançando a cabeça com um meio sorriso, mesmo sentindo o nó na barriga apertar. Mal terminei de rir e uma batida seca na porta me fez enrijecer o corpo na hora.

Endireitei a coluna, respiração contida, e meus olhos se fixaram na fresta quando ela se abriu lentamente, revelando o par de olhos amêndoa mais incômodo que eu já tinha encarado. Jasper.

Só os olhos. E mesmo assim, meu corpo reagiu com aquela maldita tensão quente sob a pele.

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