POV: SAVANNA
As pupilas dele estavam dilatadas, e dava para ver nitidamente a linha escura e feroz do seu lobo riscando o fundo da íris. A fera estava ali, sob controle, mas viva. Atenta. Faminta.
“Ele está provocando de propósito.” minha loba rosnou tensa. “Se acha tão esperto… deixa ele tentar algo. Vamos mostrar os dentes.”
Estremeci. Claro que estremeci. A voz dele era grave, profunda, com aquele tom carregado de provocação premeditada. Ele fazia de propósito. Cada sílaba arranhava meu autocontrole. Desviei o olhar antes que meu corpo me entregasse mais do que já tinha feito, recuando um passo.
Jasper percebeu. É claro que percebeu. Um sorriso enviesado surgiu nos lábios dele, enquanto me observava com aquela calma sacana de quem estava se divertindo demais. Seus olhos desceram vagarosamente do meu rosto, parando tempo demais na minha boca rachada antes de seguir até o casaco que eu usava.
— Hum... — assobiou baixinho. — Minha blusa combina mais com você do que comigo.
— Poderia ter me dado uma blusa feminina, como o resto das roupas. — Disparei ríspida, cruzando os braços, tentando ignorar o fato de que o tecido ainda exalava o cheiro dele. Achocolatado, quentinho, um toque carvalho. Irritantemente confortável.
“Um ‘obrigada’ não mata, Savanna.” Minha loba zombou, balançando as orelhas e se espreguiçando. “E gostamos do cheiro dele… é convidativo. Tipo… a gente gosta.”
Revirei os olhos, bufando. Maldita loba traidora.
“A culpa é dele com estes olhinhos de lobo sem dono.” Ela retrucou em um rosnado ofendida. “Malditos olhos de chocolate”
Jasper se aproximou meio passo, como quem testava meu limite, mas não tocou. Seus olhos voltaram aos meus, carregados daquele brilho debochado, mas havia algo a mais ali. Uma tensão. Uma promessa.
— Mas elas não teriam meu cheiro cravado. — Ele virou o rosto apenas o suficiente para me lançar aquele olhar malicioso por cima do ombro. — Meu aroma fica muito melhor em você. — Piscou, descarado, como se lesse cada pensamento que eu tentava enterrar. — Vamos.
Fiquei ali, estática, sentindo as bochechas queimarem. Arregalei os olhos, surpresa com a ousadia… e com a forma como meu corpo reagia a ela. Engoli seco, praguejando em silêncio, antes de segui-lo.
Saí em silêncio, acompanhando seus passos largos e firmes pelo corredor. O jeito que ele andava exalava confiança. A camisa de manga colada marcava cada fibra dos músculos fortes dos braços dele, bem definidos, de quem treinava com frequência e gostava da dor. As costas largas, os ombros retos, a postura de um lobo beta que sabia seu lugar, e como dominá-lo.
Tentei desviar o olhar, mas foi inútil. Meus olhos desceram sozinhos até a bunda dele.
Porra.
Compacta, firme. E com aquela calça moletom? Quase um crime de guerra.
Mordi a parte interna da bochecha, tentando me controlar, mas foi inútil.
“Ele tem um belo traseiro, macho... cacetada!” Minha loba saltou, vibrando e arranhando o fundo da minha mente. “Imagina morder esse pãozinho de queijo bem quente?”
Revirei os olhos, arfando de leve. Maldita loba.
Maldito Jasper.
— Pãozinho de queijo? Sério, Kiara? — Indaguei mentalmente com desgosto, franzindo o nariz. — De onde você tira essas coisas?

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