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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 358

POV: SAVANNA

— Que... Não. — Gaguejei, sacudindo a cabeça com força para voltar à realidade. Ajustei os ombros, tentando recuperar o controle. — Me tirou do hospital só pra ficar me provocando? É isso que devo esperar do tão falado Beta do Alfa Supremo? Um babaca com senso de humor duvidoso?

— Está me chamando de torturador agora? — Jasper soltou uma risada rouca, jogando a cabeça para trás antes de se virar e começar a andar. — Porque se quiser, posso me dedicar melhor a esse papel...

Revirei os olhos, rosnando baixinho, mas segui atrás dele. Assim que saímos do hospital, a claridade do final de tarde me fez semicerrar os olhos, piscando algumas vezes para ajustar a visão. O cheiro do ambiente externo era mais limpo, carregado por uma brisa fria que arrepiou meus braços mesmo por baixo do casaco.

— Você é insuportável. — Rosnei, mantendo o passo ao lado dele.

“E completamente irresistível, maldição.” Resmungou minha loba, ronronando como se estivesse espreguiçando por dentro da minha cabeça. “Não abaixe a guarda, mas... continue olhando...”

Caminhei ao lado de Jasper, mas meus olhos estavam em constante movimento, analisando tudo ao redor. A alcateia era diferente de tudo que eu esperava. Lupinos caminhavam tranquilamente pelas ruas pavimentadas de pedra, conversando, rindo, alguns até com crianças nos braços ou de mãos dadas. A paz aparente me desconcertava.

Do outro lado da praça, uma cafeteria estava cheia de adolescentes animados, muitos com mochilas penduradas nas costas, outros distraídos em tablets ou mexendo em celulares. Pareciam tão normais… quase humanos. Meu passo hesitou por um segundo. Aquilo me confundia.

Continuei seguindo Jasper em silêncio. Ele não disse uma palavra, mas sua presença permanecia firme ao meu lado, como se quisesse me mostrar que eu podia andar ali sem ser caçada.

Passamos por uma fonte de pedra ao centro da praça. A água corria tranquila, e nos bancos ao redor, casais conversavam baixinho, alguns se tocando com intimidade evidente. Eram guerreiros, dava para perceber pelos ombros largos, postura alerta e os cheiros carregados de poder. Mas ali, entre risos contidos e beijos roubados, pareciam humanos comuns vivendo um momento de trégua.

Aquela imagem me causou um aperto no peito que não consegui explicar.

“Chega a ser estranho imaginar que existe um lugar assim, para os Lupinos.” murmurou minha loba com a voz baixa, farejando ao redor com interesse. “Tem vários aromas de comidas gostosas. E aquele cheiro... carne assada... com ervas...”

Fechei os olhos por um instante, puxando o ar pelas narinas, farejando com atenção. Os cheiros eram diversos e nítidos. Carne assando em algum ponto mais ao sul, pão recém-saído do forno, perfume floral de alguma loba próxima... E então, o som da voz dele.

— Temos muitos restaurantes na alcateia. — murmurou Jasper rente à minha orelha.

Arrepiei da nuca até os calcanhares. A respiração quente dele roçou minha pele como se fosse um toque direto. Meus ombros tensionaram no reflexo imediato, e minha loba ergueu as orelhas em alerta.

— Gosta de massas? — ele sussurrou mais uma vez, com a voz arrastada e provocativa.

— Gosto de espaço. — rosnei sem pensar, girando bruscamente o corpo para encará-lo, obrigando meus pés a recuarem um passo. — Muito espaço.

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