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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 363

POV: JASPER

Quando me afastei, nossos lábios ainda se tocavam em breves roçadas trêmulas. Nossos peitos subiam e desciam em ritmo acelerado. O ar entre nós parecia carregado, denso, como se a qualquer segundo explodisse.

Ela não disse nada. Apenas me olhou. Os olhos verdes tremiam com dúvidas, os lábios estavam entreabertos e úmidos, e havia um rubor intenso em suas bochechas. A selvageria cedeu lugar a algo mais profundo. Algo que, claramente, a apavorava.

— Como é possível...? — O sussurro dela saiu baixo, quase sem ar, como se lutasse contra algo dentro de si. Soltei sua mão com relutância e a observei levá-la aos próprios lábios. Os dedos trêmulos tocaram a própria boca, como se ainda tentasse entender o que tinha acabado de acontecer. Seus olhos esmeralda estavam arregalados, confusos... devastados.

— Eu sou a Destinada de Raiker... — sussurrou mais uma vez, engolindo seco. — Isto... não pode acontecer.

— Por enquanto. — Minha voz saiu mais grave, mais densa, e quando falei de novo, foi um rosnado vindo do fundo da garganta, misturado ao lobo que se agitava sob minha pele. — Até o elo ser rompido com a morte dele.

"Já está rompido onde importa", resmungou meu lobo, impaciente. "Ela sentiu, você sentiu. Negar isso é como negar o próprio sangue."

Savanna abriu e fechou a boca, como se as palavras não se formassem. Fechou os olhos com força, apertando os punhos ao lado do corpo, os ombros tensos, como se lutasse contra algo que ameaçava destruí-la por dentro.

Por fim, abriu os olhos e a mudança era clara. O brilho predatório da loba se misturava à dor humana que ela escondia. Sua pupila dilatada, o verde mais intenso, mais carregado, mais instável.

— Me leve de volta. — Sua voz era firme, mas frágil na borda. Como se um único toque meu pudesse fazê-la ceder de novo. — Você não deveria ter me beijado.

— Mas eu fiz. — Minha voz saiu num rosnado mais baixo, sentindo o corpo dela retesar. Ela recuou meio passo, mas não fugiu. Me aproveitei da hesitação e voltei a encostar as mãos nas laterais de seu corpo, sentindo seu calor vibrar contra o meu. Inclinei-me apenas o suficiente para inalar seu aroma: aquele cheiro doce, cítrico e selvagem que me fazia perder o foco por segundos preciosos. — E pretendo fazer de novo, Bravinha...

— Eu não sou sua segunda chance, Jasper! — Savanna rugiu, com a voz carregada de raiva e dor. Os olhos brilhavam, o peito subia e descia em uma mistura sufocante de emoções. — Eu não posso ser! Eu não mereço...

Franzi o cenho, digeri suas palavras, e então soltei uma risada seca e debochada, carregada de amargura.

— Ah, entendi... — Abaixei um pouco o rosto, mantendo os olhos fixos nos dela, desafiando cada linha de defesa que ela tentava manter. — Não merece um mero beta? Só serve se for um alfa dominante com trono e legado?

— Você é um idiota. — Ela rosnou entre os dentes, os olhos faiscando de frustração. Passou por baixo dos meus braços com um movimento ágil, ficando atrás de mim, e só então percebi como estava tremendo. — Por um momento... achei mesmo que você era diferente dos outros.

Ela não gritou, apenas se afastou devagar, cruzando os braços e parando perto das escadas. Bastava um passo, e ela poderia fugir. Mas não fugiu.

Ficou ali.

Observando o vazio. Fingindo que não sentia. Fingindo que meu toque ainda não queimava na pele dela como uma marca.

“Definitivamente masoquista.” Resmungou meu lobo com ironia, estalando a mandíbula. “Você a irritou, confundiu, e ainda assim ela está aí. Parada. Esperando. Tola.”

— Talvez o beijo não tenha sido uma boa ideia. — Respondi ao meu lobo mentalmente, respirando fundo enquanto sentia o gosto dela ainda em minha boca.

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