POV: RAIKER
— Deixe-me ver se compreendi. — Falei com lentidão, coçando a barba curta que raspava sob meus dedos, o olhar fixo no lobo ajoelhado à minha frente. — Você não apenas permitiu que invadissem uma de minhas instalações, como também deixou o inimigo levar minha Destinada… sua irmã… direto para as garras de Daimon?
Minha voz saiu seca. Fria. Cada sílaba pesava como sentença.
— S... Sim... — Collen gaguejou baixo, a garganta trabalhando em seco. — Eles vieram em grande número... denunciaram nossas posições... exploraram cada ponto vulnerável. O ataque foi coordenado, brutal. Não houve tempo de reação. Perdemos muitos.
Minhas garras tilintaram ao tocar o chão de pedra, ressoando como aviso. Inclinei a cabeça para o lado, os olhos semicerrados, as sobrancelhas arqueadas.
— E neste suposto ataque... meu irmão estava? — Minha voz saiu baixa, mas cortante. Cravei as garras no braço do trono, arranhando a pedra bruta que adornava o encosto. O som ecoou pelo salão, como um aviso sombrio.
Collen hesitou.
— N-não... mas...
— Mas? — Repeti devagar, sem esconder o escárnio. Inclinei a cabeça para o lado, os olhos semicerrados, observando cada respiração tensa do híbrido ajoelhado. — Está me dizendo, híbrido miserável, que mesmo sem a presença do meu irmão, você não foi capaz de enfrentar meia dúzia de guerreiros para garantir a segurança da sua própria irmã?
Arqueei uma sobrancelha, o desprezo escancarado na expressão. Soltei uma risada seca e curta, debochada, deixando que o silêncio pesasse entre nós por alguns segundos antes de continuar.
— Você é mesmo patético, Collen. Um lobo fraco... um erro que nunca deveria ter respirado sob meu comando. — Minha voz desceu em tom, firme, ameaçadora. — Me diga...
Inclinei-me para frente lentamente, sentindo os músculos do corpo dele enrijecerem. A tensão preenchia o ar. Meus olhos brilharam em um tom mais profundo de vermelho, as pupilas dilatadas pela raiva. Cada suspiro dele vinha trêmulo, carregado de medo. O suor escorria da testa, e seu peito arfava, tentando controlar o próprio desespero.
"Arranque a espinha dele pela boca." Rugiu.
O lobo dentro de mim falava com fúria, sussurrando com garras e dentes. Mesmo minha fera, aquela criatura cruel que devora vivos, hesitava com a intensidade da minha presença.
— Você abaixou a cabeça... — Sussurrei, as palavras precisas, frias... — Você assistiu enquanto ela era levada... e se ajoelha como um cão doméstico. Não lutou. Não sangrou. Não matou.
Collen fechou os olhos por um segundo, trêmulo, a mandíbula travada.
— Eu tentei...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO