POV: AIRYS
Minhas palavras ecoaram com fúria contida. Rielly continuava à flor da pele, pulsando dentro de mim, o cheiro do medo de Savanna ainda impregnava o ambiente, mesmo que ela se recusasse a demonstrá-lo.
— A mamãe fica realmente assustadora quando está nervosa. — Theron comentou em voz baixa, mas claramente audível, os olhos arregalados fixos em mim antes de se voltarem para o pai. — Você é realmente esperto por nunca provocar ela.
O canto da boca de Daimon se curvou lentamente. Um sorriso discreto, quase perigoso. Ele lançou um olhar afiado em minha direção antes de virar o rosto e farejar sutilmente o ar, como se já soubesse que algo novo estava por vir. Seu semblante mudou.
Stephan se aproximou devagar, respeitoso, os ombros levemente curvados em reverência.
— Supremo. — Assentiu com a cabeça. — Há uma mulher nos portões. Ela exige uma audiência com a Luna. Disse que é urgente.
Daimon apenas arqueou uma sobrancelha, sem desviar a mão que ainda repousava firme na minha cintura, seu toque mantendo meu corpo sob controle, mesmo que a tensão ainda me percorresse como eletricidade. Minha loba rosnava em silêncio, desconfiada.
"Mais uma? Que se prepare, porque se for mais um problema, eu mesma arranco os olhos." Seu rabo batia de um lado para o outro irritada, agitada.
— Uma mulher? — Franzi o cenho, estreitando os olhos na direção de Stephan. — Onde ela está?
— A conduzimos para a área de espera e checagem, por garantia. — Ele respondeu com firmeza, mas sem encarar diretamente meu olhar.
Arqueei a sobrancelha, sentindo meu sangue ainda pulsar com fúria. A pele do meu braço formigava, os músculos do pescoço ainda rígidos, a respiração entrecortada. Meus dedos se fecharam involuntariamente em punhos.
— Me levem até ela. — Declarei com voz seca, determinada, começando a andar pelo corredor, o som dos meus passos ecoando com peso.
Passei por Savanna e Jasper. Eles estavam imóveis, me observando com expressões tensas. Senti o olhar de ambos queimando nas minhas costas, mas parei ao lado deles, o corpo ainda trêmulo, os pelos dos meus braços eriçados.
Cerrei os punhos com força.
— Nós ainda não terminamos. — Ressaltei com frieza, sem sequer olhá-los.
— Airys... — Jasper rosnou baixo, tombando a cabeça e apertando os olhos, o maxilar marcado pela frustração. — Eu confiei em você. Apoiei todas as suas decisões... Não mereço o mesmo, em nome da nossa amizade?
Suspirei, com a mandíbula cerrada, os olhos semicerrados, sentindo minha loba bufar com escárnio dentro de mim.
— Deveria rever seus valores, Beta. — Virei o rosto na direção dele e o encarei sem piscar. — Está usando qual cabeça? E seguindo qual instinto, exatamente?
Rosnei feroz.
— São os meus filhos. — Minha voz saiu trêmula de emoção e raiva contida. — Meus bebês, Jasper.
— Ela não os feriu. — Jasper rebateu, mas seu tom soou fraco diante do meu rosnado mais alto, que ecoou pelo corredor.

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