POV: AIRYS
“Ela se rastejou até ele como uma cadela e foi tratada como tal.” Rielly riu dentro de mim, com desdém, passando a língua pelas presas. “Eloy jamais chegaria aos seus pés, nem que tivesse outra chance de nascer.”
Cruzei as pernas com calma, mantendo a postura ereta e o queixo elevado. Fiz questão de demonstrar quem estava no controle ali. Cada movimento meu era intencional. Meu olhar firme encontrou o dela.
— E você sabe onde ele está? — perguntei, fria.
Eloy balançou a cabeça devagar, sem coragem de manter o contato visual. Os ombros curvados, a respiração irregular. A vergonha estampada no rosto.
— Então nada que venha de você me serve.
Ela estremecia. O peito arfava como se lutasse para manter o controle das próprias emoções.
— Por favor, Airys... — A voz falhou. Os olhos se encheram de lágrimas. — Mamãe morreu durante a guerra contra os quatro pilares... Nossa alcateia foi invadida. O Alfa Stephan me expulsou sem me dar chance de me defender...
As mãos dela se apertaram contra a saia, tremendo. Vi os dedos se enrugaram de tensão.
— Malik virou as costas para mim. — A respiração dela falhou de novo. — E o papai...
Parou de falar.
Seu corpo inteiro tremeu. O ar ao redor parecia mais pesado. Eloy não conseguia continuar, como se fosse engolida pela própria desgraça. Mas eu não me movi. Não senti pena. Apenas observava. Com atenção.
Ela ergueu os olhos vermelhos, fixando o olhar em mim. A pele ao redor de seus olhos estava inchada, a respiração curta, o peito subia e descia em um ritmo acelerado.
— Ele sumiu há tanto tempo... — A voz saiu trêmula. — Tenho medo de que algo muito ruim tenha acontecido com ele...
“Ah, ela não sabe.” Rielly bufou, entediada, girando as orelhas peludas antes de apoiar a cabeça sobre as patas. “Sempre mantiveram a pobre mimada afastada da verdade. É tão previsível que chega a dar sono.”
Inclinei levemente o tronco para frente, encarando Eloy sem desviar os olhos.
— Ele está morto. — Soltei a frase sem alterar o tom de voz, com frieza absoluta.
Eloy levou as mãos à boca, cambaleando um passo à frente como se tivesse levado um golpe no estômago. Os lábios tremiam, os olhos arregalados.
— Com... como...? — gaguejou. — Como você pode ter certeza disso?
Cruzei os braços devagar, rosnando baixo, o som ecoando por minha garganta como uma advertência. Exibi um sorriso sutil, mas carregado de firmeza. Minhas garras se projetaram, raspando uma contra a outra em um gesto involuntário.

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