POV: AIRYS
Seus olhos brilharam em um tom dourado distorcido pela raiva. Um rosnado gutural escapou de sua garganta.
— Você não pode fazer isso comigo! — A voz saiu feroz, quase selvagem. — NÃO TEM O DIREITO!
"Ela ainda acha que laços de sangue a protegem depois do que fez... Que graça." ironizou Rielly, debochada. "Vamos ver como ela grita quando sentir o frio das correntes."
Parei diante da porta, virando o rosto por cima do ombro. Meus olhos encontraram os dela pela última vez: desesperados, vermelhos, suplicantes.
— Você disse que não tinha um lar, Eloy… — Minha voz saiu firme, fria, sem vacilo. — Vai receber exatamente o que merece.
Rielly vibrou em meu peito, inquieta, satisfeita.
— Terá um lugar atrás das grades. Aproveite o único luxo que ainda lhe resta.
Me virei sem pressa, sentindo a tensão escoar dos meus ombros. Dei o primeiro passo para fora enquanto os gritos de Eloy rasgavam o salão.
— Airys! Por favor! — Ela implorava, a voz se esfarelando entre o choro e o desespero. — EU SÓ TENHO VOCÊ!
“Tarde demais, irmãzinha” Rielly estalou, sarcástica, com um ronronar ácido. “Muito bem, Luna.”
Meu coração não vacilou. Ela fez suas escolhas. Agora, colheria cada consequência.
Assim que cruzei a porta, braços fortes me puxaram com firmeza. Afundei o rosto no peito largo e quente de Daimon, agarrando sua cintura com força. Solucei baixo, tentando conter o tremor que me dominava, os olhos ardendo sob o peso do que acabara de fazer.
O calor do corpo dele me envolvia, firme e protetor. Suas mãos deslizaram pelas minhas costas devagar, mantendo-me contra ele.
— Pequena... — Sua voz veio grave, rouca, baixa. — Ela merece esse destino. — O ronronar que vibrava em seu peito me envolveu como um cobertor denso. — Sua irmã não merece sua compaixão ou lágrimas.
Suspirei, arfando contra sua pele marcada, onde meu rosto ainda permanecia pressionado. Seu cheiro terroso, viril, denso e inconfundível, acalmava minha mente. Mas o nó na garganta não desaparecia.
— Eu sei... — murmurei, sem me afastar, os dedos ainda cravados na barra da camisa dele. — Mas isso não muda o fato de ela ser minha irmã. Não muda o quanto eu odeio tudo o que me fizeram... o quanto odeio ainda sentir isso.
Daimon me apertou mais forte, sem palavras. E, mesmo sem falar, sua presença bastava.
“Ela é sangue do seu sangue, mas não tem o mesmo coração”, sibilou Rielly com desdém. “Você é feita de força. Ela... só sobrou o drama barato.”
Arqueei uma sobrancelha ao ouvir minha loba, respirando fundo antes de me afastar minimamente para encarar Daimon. Ele me observava, atento, possessivo, a fúria ainda dançando em seus olhos.
— Obrigada... — sussurrei, ousado e obsceno, deslizando os dedos pelo peito dele até a nuca. — Por me deixar lidar com ela... por confiar.
Seus lábios se curvaram em um meio sorriso que exalava ameaça e desejo ao mesmo tempo. Não precisou responder — o olhar dele dizia tudo. Feroz. Sombrio. Meu.
— Coelhinha... — murmurou com a voz baixa e carregada, os olhos semicerrados fixos em mim. — Por mim, teríamos a jogado do penhasco depois de algumas boas horas de tortura lenta. — Seus tons terrosos cintilaram em um brilho perigoso. — Mas confio que saberá aplicar as punições certas à sua... irmãzinha.
Ergui uma sobrancelha, ainda colada ao peito dele, sentindo o calor que emanava da sua pele passar direto para a minha.

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