POV: DAIMON
— Raiker não eliminou todos? — Ponderei a nova informação, a desconfiança fervendo no fundo da minha mente.
"Ele nunca faz reféns... Por que agora está agindo diferente?" Fenrir ergueu as orelhas peludas, rosnando, enquanto suas garras arranhavam o chão da minha mente. "Isso fede a armadilha. O que mais aquele desgraçado está tramando?"
— Estejam em alerta. — Rosnei, a ordem firme, carregada de poder, fez alguns guerreiros abaixarem instintivamente a cabeça. — Não quero falhas. Se alguém ousar errar, será o último erro que cometerá. A segurança da nossa alcateia é prioridade absoluta.
"Se quiser, posso farejar cada um deles agora, Alfa. Se encontrar algum traidor, vou dilacerar sem piedade. Vai ser divertido." Vibrou Fenrir salivando.
— E, Beta... — Olhei para Jasper, deixando o peso da minha presença cair sobre ele. — Se for para priorizar vidas, que sejam as do nosso povo. Cada segundo gasto com alguém que não pertence a nós pode custar sangue inocente.
— Entendido, Supremo. — Jasper assentiu, sério.
Jasper ergueu a mão, sinalizando aos soldados, e começou a repassar as ordens em voz alta. O barulho das movimentações se misturava aos lamentos dos feridos.
— Refugiados, serão escoltados pelos soldados e avaliados. — Rugir com frieza imponente. — Não ousem ser infiltrados... Seria uma pena esfolar vocês vivos depois de tanto esforço para sobreviverem. — Estalei a língua de forma lenta e sombria, deixando a minha áurea assassina se expandir pelo campo.
Vi alguns darem passos para trás, sentindo o peso da minha presença.
— Aos que precisam de assistência médica, formem uma fila à esquerda dos portões. Os que estão inteiros, sigam aquele soldado para interrogatório. Se estiverem limpos, poderão lutar ao nosso lado.
O silêncio foi pesado por um instante. Apenas o som das botas na terra e os gemidos abafados dos feridos.
— Supremo, com todo respeito... — A voz trêmula de uma senhora me chamou. Ela tinha o rosto coberto de ferimentos, os olhos cheios de lágrimas. Era amparada por um rapaz jovem, com cortes profundos nos braços e no tórax, o cheiro de sangue fresco quase insuportável. — Não somos páreos para o inimigo... Havia betas e Alfas juntos. E aquele demônio de olhos vermelhos... — Sua voz falhou, o corpo inteiro dela tremendo. — Era tão parecido com o senhor...
Ela soluçou, os lábios trêmulos, como se temesse pronunciar mais uma palavra.
"Ela fala do nosso reflexo, Alfa. Aquele gêmeo maldito que nem poderia ser considerado um macho de verdade... Ele ousa se passar por nós? Eu vou rasgar essa farsa em pedaços." Fenrir rosnou, feroz, seu timbre arranhando a parte mais selvagem da minha mente.
— Mataram o meu filho... meu companheiro... — A loba mais velha chorava, a voz quebrada em um lamento sufocado. — Sobrou apenas meu neto e eu.
Airys se aproximou devagar, com a expressão firme e compassiva, colocando uma das mãos no braço da idosa.

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