POV: DAIMON
Malik revirou os olhos, lutando para permanecer consciente, arfando como se a cada respiração fosse morrer.
— Joguem prata sobre ele. — Ordenei, sem desviar o olhar.
— Não... não... — Malik tentou recuar, arrastando-se como um animal ferido, mas seus braços mal respondiam. O sangue escorria em um rastro grosso e quente pelo chão. — Não poderei me curar... eu não...
— Malik... — Rosnei baixo, cada palavra saindo como um golpe. — Estou apenas retribuindo tudo que fez ao meu povo.
Peguei uma estaca longa e afiada do chão, girando-a nas mãos enquanto o olhava com puro desprezo.
— Ainda não terminamos a nossa conversa. — Estalei a língua, um som monstruoso e frio.
Com um único movimento brutal, empalei Malik na entrada da alcateia. O som seco do impacto seguido de seu rugido estrangulado de dor reverberou como uma melodia sombria. Ele se debateu, os olhos esbugalhados, os músculos tremendo em agonia. A ponta da estaca atravessou carne e ossos, prendendo-o como uma carcaça viva.
“Mas nessas condições, ele não vai durar muito tempo.” Fenrir falou, sua voz carregada de desprezo e preguiça felina. “Por que o empalar? Era mais divertido rasgar pedaço por pedaço. Ou você quer que todos assistam ele apodrecendo como um aviso?”
— Para que os corvos e criaturas da floresta possam vir se alimentar dele ainda vivo. — Minha voz ecoou fria, enquanto o observava.
Malik já não tinha forças para falar, chorar ou gritar. Seu corpo estava destruído, o sangue escorrendo em um fluxo constante. Os órgãos expostos pulsavam lentamente, e seu íntimo jorrava sangue que deslizava pelas pernas até formar uma poça no chão.
— Isto ainda é pouco para tudo que ele merece, mas não temos tempo para perder com apenas um inimigo. Ainda há muitos a serem mortos.
Me afastei dele, mas um pulsar intenso tomou conta do meu peito. O ar pareceu falhar por um instante, e um zunido ensurdecedor preencheu meus ouvidos. A cabeça girou, e precisei fechar os olhos por um momento, tentando controlar o peso que se instalava dentro da minha mente.
Foi quando senti. As garras de Fenrir rasgando minha mente de dentro para fora, pressionando meu crânio como se quisesse quebrá-lo.
— Fenrir? — Chamei em um tom grave, ofegante.
Nenhuma resposta.
Um uivo angustiante rasgou minha mente, vindo de Fenrir. Cambaleei para trás, ofegante. A sede de sangue era insuportável. A fome, o desejo de matar, de ver mais corpos caídos, de transformar aquele campo em um mar de carnificina, cresciam dentro de mim como fogo.
— Se afastem! — Ouvi a voz de Simon ecoar com firmeza, acompanhada de exclamações assustadas dos soldados. — Ninguém se aproxima do Supremo!

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