POV: AIRYS
— Pronto, Luna. — A cerimonialista se afastou, os olhos brilhando de admiração ao me observar por completo. — Você está simplesmente deslumbrante.
— Obrigada. — Murmurei, a voz quase sumindo enquanto me virava lentamente para o grande espelho à frente.
Minha própria imagem me prendeu. Estiquei os braços, observando os traços das escrituras antigas gravadas na minha pele, palavras Lycan que selavam o ritual de marcação com o Supremo, um elo de alma, carne e essência. Era mais do que um símbolo, era um juramento de poder e destino.
O vestido azul longo, de cetim macio, moldava minhas curvas com perfeição. As aberturas laterais expunham a pele da coxa até quase a cintura, enquanto os braços estavam realçados por cortes estratégicos que davam liberdade ao corpo e revelava as escrituras. O decote em V na frente revelava apenas o suficiente para provocar, enquanto as costas nuas serviam de tela para as marcas rituais que desciam da base da nuca até a cauda da coluna, pulsando sob a luz como se respirassem.
Toquei de leve as inscrições, sentindo um calor sutil percorrer meus dedos, um arrepio subindo pela espinha. O reflexo no espelho mostrou meus olhos brilhando, não apenas por nervosismo, mas por algo mais profundo, o receio do que está noite representava.
— A senhora não gostou? — Perguntou ela com cautela, como se tivesse medo de estar falhando. — Se quiser, podemos trocar a roupa ou melhorar a maquiagem e...
— Não, está tudo bem... — Sorri de leve, encarando meu reflexo no espelho, tentando disfarçar a tensão. — Está perfeito.
A cerimonialista franziu a testa, analisando meu semblante com atenção.
— Perdão, Luna, mas você parece... triste, o que é estranho para o dia mais importante de sua vida. — Sua voz saiu baixa, quase curiosa demais. — As antigas Lunas ficavam em êxtase durante este ritual. Eu já preparei várias, e todas pareciam flutuar de emoção.
— É apenas a guerra... e os pacientes no hospital. — Respondi com firmeza, mantendo a postura ereta, mesmo que por dentro meu peito estivesse apertado.
“Mas não é isto que roubou o seu sorriso e o que faz o seu coração apertar.” Rielly sussurrou em minha mente, o tom áspero e incisivo, enquanto pude quase sentir o toque úmido de seu focinho farejando meus pensamentos. “Foi a hostilidade dele... A forma como nos afastou como se temesse nos ferir.”
Arqueei as sobrancelhas, sentindo a garganta arranhar pela angústia.
— Você pode ir. — Disse à cerimonialista. — Preciso de um momento a sós.
Ela apenas assentiu com respeito, se afastando em silêncio. Assim que a porta fechou, soltei o ar preso nos pulmões, pressionando as mãos contra o ventre.

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