POV: AIRYS
— O perderemos para a besta. — Completei em um sussurro rouco. — Por favor, me diga que isto dará certo?
— Luna... — Ela aproximou-se, tocando meu rosto com suavidade, a ponta dos dedos frios queimando minha pele. — Tenha fé no amor que vocês compartilham. É a âncora que pode segurá-lo na sanidade.
Por um instante, algo mudou em seus olhos. Um brilho intenso surgiu, como se estivesse vendo algo além de mim. O corpo dela tensionou e, de repente, ela deu um passo para trás, o cenho franzido em uma expressão de inquietação.
— O que foi? — Perguntei em alerta, minha voz saindo mais alta do que esperava. O coração bateu descompassado, e senti um arrepio violento correr pela coluna. — Viu algo errado?
— Na... não é nada. — A voz dela vacilou levemente, e percebi seu olhar desviar por um segundo. — Deve ser o cansaço das feridas, bruxas não se regeneram como os Lupinos.
“Mentira.” Rielly rosnou na minha mente, as orelhas se eriçando. “Ela esconde algo... o cheiro dela mudou, está preocupada e com receio.”
— Tem certeza de que está bem para seguir com o ritual? — Questionei com um tom mais firme, cruzando os braços e a observando de perto.
— Luna, não temos outra opção. — Ela segurou meu braço com mais força, seus dedos frios fizeram minha pele arrepiar. — O que está por vir, não pode ser impedido. Você precisa ser forte, confie em seu destino!
— O quê? — Arqueei uma sobrancelha, meu coração acelerando, uma sensação de peso no peito ao notar algo estranho na forma como ela me olhava.
Antes que pudesse insistir, Jasper surgiu na porta, a respiração levemente acelerada e o olhar desconfiado alternando entre nós duas.
— Chegou a hora de esfregar essa sua beleza na cara das lobas amargas desta alcateia. — Jasper provocou com aquele sorriso largo e debochado, mas seu cenho franziu ao notar o olhar inquieto da irmã celeste para mim. — Está tudo bem aqui?
— Está. — A irmã celeste respondeu rápido demais, quase nervosa. — Lembre-se das instruções, Luna. Vou assumir meu posto, com licença.
Ela passou por Jasper, que acompanhou sua saída com os olhos semicerrados, desconfiado, antes de voltar a me encarar.
— O que foi isso? — Ele perguntou com o tom carregado de curiosidade, mas eu apenas o puxei e o abracei sem dizer nada, afundando o rosto em seu ombro.

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