POV: AIRYS
— A Luna está grávida! — Ele rosnou agitado.
— Não... — gritei, a dor rasgando meu corpo. Meu ventre parecia incendiar por dentro. Cravei as garras no solo, me contorcendo, o corpo arqueado, arfando descontrolada. Agarrei o braço de Daimon com força, desesperada, sentindo meus dedos tremerem ao tocar sua pele quente.
— Não... eu não posso estar... Eu não vou parar! — gritei com a voz rouca, o suor frio escorrendo pela nuca, os olhos marejados. — Eu vou te libertar, Daimon... não quero uma vida sem você!
“Você enlouqueceu?” Rielly rugiu em minha mente, desesperada, rosnando. “Se continuar, vai destruir o filhote! Pare agora, não podemos...”
— Pequena... Sua lealdade está na pessoa errada desta vez. — A voz de Daimon veio grave, baixa, carregada de um cansaço que me rasgou por dentro. — Você precisa pensar nos nossos filhos. Eles precisam de você. Eu jamais permitirei que um filho meu, ou você, dê a vida por mim. Sou eu quem os protege, não o contrário.
— Não! — rugi com a garganta apertada, a dor se misturando à raiva, os olhos turvos. Quando ele se ergueu, mesmo com o corpo trêmulo, senti meu coração despencar. — Não saia do círculo! Não ouse fazer isso... Não desista da gente! Eu vou te odiar, Daimon Fenrir, eu juro por tudo que tenho!
Meu corpo tremia dos pés à cabeça, a respiração pesada, o peito arfando como se eu estivesse sendo esfolada por dentro.
— Tudo bem... — murmurou suave, quase resignado. Um sorriso fraco surgiu nos cantos de seus lábios, e ele inclinou a cabeça de lado, daquele jeito que sempre fazia e que parecia prender minha alma. — É melhor assim...
O tempo pareceu congelar. Meus olhos se encheram de lágrimas ardentes, cada músculo do meu corpo implorava para que eu o agarrasse e nunca mais soltasse.
— Eu a amarei para sempre, Airys Monveil Fenrir. — Ele disse, e senti cada palavra como se marcasse minha pele.
As lágrimas escorriam quentes pela minha face, queimando minha pele enquanto eu via Daimon romper o círculo e se afastar, como se cada passo dele arrancasse pedaços do meu peito.
— Não... Não! — gritei, a voz quebrada em angústia, dor e puro pavor.
Os convidados se agitaram em choque, alguns recuaram instintivamente, outros não sabiam para onde olhar. Meus filhos gritavam de algum ponto da multidão, o choro de Alec atravessou meu coração. Ela soluçava desesperada, confusa, sem entender o que estava acontecendo, e eu queria correr até eles, mas minhas pernas tremiam tanto que não consegui me mover.
Daimon soltou um rugido ensurdecedor, tão frio e sombrio que silenciou todos os presentes de imediato. O som reverberou em meus ossos, me fazendo estremecer até a alma. Sua pele começou a rasgar, o sangue escorrendo enquanto pelos densos emergiam. O barulho dos ossos estalando, quebrando e se rearranjando, ecoou como uma tortura viva. Cada som era sufocante, desesperador, como se eu pudesse sentir a dor dele em minha própria carne.
Ele me olhou. Havia lágrimas em seus olhos, lágrimas que eu jamais imaginei ver nele. Os tons terrosos e escarlates começaram a se apagar, engolidos por uma escuridão profunda e sem retorno. Naquele instante, vi Fenrir sendo arrastado para um lugar que nenhum de nós conseguiria alcançar.
— Fujam... — Foi a única coisa que Daimon conseguiu dizer, a voz engolida por um rosnado tão hostil que fez o chão vibrar sob meus pés.
— Saiam todos da montanha! — ordenou Jasper em um tom seco e imperativo, assumindo o controle da situação enquanto gesticulava para os guerreiros evacuarem o local. Ele se aproximou de mim, os olhos faiscando entre preocupação e desespero.
— Jasper, as crianças! — gritei, forçando o corpo a se erguer mesmo com as pernas trêmulas, o sangue quente descendo pelas minhas coxas e me lembrando cruelmente da dor. — Você deu sua palavra!

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