POV: AIRYS
— O que vocês querem? — perguntei, sem esconder o cansaço que me esmagava por dentro e por fora. Minha voz saiu rouca, seca, carregada por uma exaustão que queimava nos ossos. — Vieram me trazer mais um problema?
— Os Lupinos... — Jasper respondeu, sério como raramente era. — Não estão se curando. Nem os ferimentos mais leves estão reagindo.
Virei o rosto devagar, sentindo a pele do meu rosto esticar de tão rígida. A sensação de impotência me corroía o peito, como se algo dentro de mim estivesse prestes a explodir.
“Isso só pode ser obra de Selene...” Rielly rosnou na minha mente, a voz dela veio como uma tempestade prestes a romper. “Ela quer nos dobrar, nos obrigar a ceder aos seus caprichos.”
— Vai forçar o povo a se virar contra nós. — Completei em voz alta, engolindo o gosto amargo de revolta que subia pela garganta. — Vai fazer com que exijam Alec em sacrifício.
— O quê? — Olhei para ele sem acreditar, o ar preso na garganta. Cerrei os punhos com tanta força que senti minhas unhas furando a palma. — Maldita seja essa Deusa da Lua!
— Me perdoe, Luna... — Simon falou num tom contido, analisando cada reação minha com cautela. — Sabemos que é um momento delicado e que...
— Delicado?! — Arqueei uma sobrancelha, soltando uma risada seca e amarga, a mão indo com tudo contra a parede fria ao meu lado. — Meu filho está entre a vida e a morte, Simon! O corpo dele mal responde! Está preso a fios, cercado por máquinas que fazem o trabalho que o coração dele deveria estar fazendo! Isso não é delicado... isso é cruel!
Suspirei trêmula, o peito ardendo como se algo estivesse rasgando por dentro.
— A Deusa nos virou as costas... — Minha voz vacilou, mas não cedi. — Orion está se afundando na culpa. Meu menino... meu pequeno guerreiro não consegue nem olhar o irmão desacordado sem chorar em silêncio como se fosse ele o culpado por tudo. E Daimon...
Arfei, engolindo o choro seco que ameaçava subir. Levei a mão ao peito, tentando conter a dor física que me atingia como uma pancada a cada pensamento.
— E Daimon...
Fiz uma pausa. Uma fisgada cortou meu peito e, no mesmo instante, o uivo de Rielly explodiu dentro da minha cabeça. Era um som que feria. Cruel. Dolorido. Rasgava por dentro.
"Ele está vivo." Ela arfou. "E está sofrendo. Está dor, está angustia... Meu Fenrir já não uiva mais e isto dói tanto."
Minhas pernas falharam. Apoiei a testa contra a parede fria do corredor, ofegante, tentando manter a lucidez enquanto o mundo girava ao meu redor.
— Eu não sei onde ele está... — sussurrei com a garganta fechada. — Mas sei que não está morto. Eu sei. Eu sinto.
Fechei os olhos com força. O suor escorria por minhas têmporas. A dor atrás dos olhos latejava. As imagens de Daimon se entregando a maldição, se perdendo, apagando a intensidade de seus olhos...
— Eu sinto... cada parte dele gritando em silêncio. O medo o consumindo, a culpa... A sua dor... Eu o sinto em cada parte sem poder o alcançar!
"Isso está nos matando." Rielly rosnou.
— Airys, compreendo que tudo o que está passando é difícil, mas na ausência do Alfa, a Luna precisa nos liderar junto ao beta. — Jasper passou as mãos pelos cabelos com um suspiro pesado, o tom mais sóbrio que o de costume. Seu rosto não tinha um traço sequer de ironia. Era cru. Real. — Com Simon vivo e lutando ao nosso lado, ele é o mais indicado a assumir como beta.
— Não. — Simon interveio com seriedade. — A Luna confia mais em você, Jasper. Ela precisa de alguém firme ao lado dela agora.

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