POV: AIRYS
Senti os músculos tensos, os dedos latejando de tanta raiva. Meu corpo inteiro pulsava.
"Vamos mostrar quem somos." A voz de Rielly ecoou dentro de mim, grave, faminta.
Cada fibra do meu corpo vibrava com a fúria contida, com a certeza de que eu iria além do limite para acabar com esta guerra e salvar minha família, o meu companheiro e os meus filhotes. Simon me olhava com a testa franzida, hesitando. Jasper mantinha a expressão dura, mas o olhar estava fixo em mim, havia surpresa cintilando em seus tons amêndoa.
— Eles vão conhecer a verdadeira face do que chamam de monstro. — Cuspi as palavras, sentindo a garganta fechar de tanta fúria. — E não vai ter misericórdia. Não desta vez.
Me virei, determinada, os passos firmes me levando até o quarto. Mas antes de atravessar a porta, parei. A raiva borbulhava por baixo da pele como se cada veia estivesse prestes a explodir.
Olhei por cima do ombro, a voz saiu baixa, carregada de veneno e convicção:
— Eloy. Minha irmã. Será executada. E não por qualquer um... — Arqueei uma sobrancelha, sentindo a garganta arranhar com o peso da decisão. — Vai morrer pelas minhas garras, na frente de todos.
Senti o gosto de sangue na boca, meus punhos se fecharam com tanta força que os ossos estalaram.
— Vai servir de exemplo. — Continuei respirando fundo, arfando. — A alcateia de Tal’Dorei não perdoa mais traições. Acabou. Agora é olho por olho. Sangue por sangue. E muitos… muitos vão sangrar nas minhas mãos.
O silêncio que se seguiu pareceu pesar mais do que qualquer grito.
— Airys... por favor... — Simon falou, a voz mais baixa do que o habitual, tentando conter o instinto bruto que ele mesmo carregava. — Daimon não gostaria de te ver assim...
O peito subia e descia,
— Ele sempre admirou sua compaixão... sua força por dentro da calma... — Simon tentou mais uma vez, encarando meus olhos sem baixar os dele.
Ri. Um riso seco, quebrado, sem humor nenhum.
— Ele não está aqui! — Gritei, virando o rosto por sobre o ombro, o peito arfando com violência, a garganta queimando. — Ele está perdido nas trevas... por culpa do meu coração fraco! Por minha culpa! Então não ouse me dizer como ele se sentiria. Não você. Não agora. Não para mim!
A voz saiu rasgada. Meu corpo inteiro tremia, e senti o ar rarefeito prendendo nos pulmões, como se nem respirar eu tivesse mais o direito. Um gosto amargo subiu pela garganta, e meus olhos arderam, mas não cedi.
"Essa dor é a nossa força agora." Rielly falou, firme, sua presença me empurrando para frente.
Arqueei as sobrancelhas, engolindo o nó que ameaçava explodir em pranto. Me mantive de pé, mesmo com as pernas bambas e o coração despedaçado. Cada palavra minha saiu como ordem final:
— Façam o que mandei. Agora. — Olhei para os dois, firme, sem desviar. — Quero tudo pronto antes do fim do Solstício.
Jasper tentou intervir. A voz dele não tinha sarcasmo dessa vez, só tristeza:
— Airys...
— Sem piedade! — Interrompi, erguendo a voz, cortando. — Farei a Deusa chorar pelos filhos dela, assim como eu chorei pelos meus!
Simon cerrou o maxilar, os olhos cheios de pesar e honra silenciosa. Ele assentiu, firme, sem questionar. Jasper apenas me observava, o olhar escuro e intenso, como se soubesse que a versão que estava diante dele... não era mais a mesma de antes.
Entrei no quarto e fechei a porta com força atrás de mim. O som seco ecoou pelas paredes, e minhas costas encostaram na madeira fria. Deslizei até sentir os joelhos cederem, e parei ali, arfando, com os olhos fixos no chão, como se buscasse equilíbrio em meio ao caos.
O corpo inteiro doía. Cada músculo. Cada parte de mim gritava por descanso, mas descanso era luxo para quem ainda tinha alma... e a minha estava em pedaços.
"Você tem certeza disto, Luna?" Rielly roçou o focinho em minha mente, a voz baixa, quase um sussurro, mas firme. "Você não é uma assassina."

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