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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 428

POV: RAIKER

Ele inclinou o pescoço lentamente, como se estivesse tentando controlar o próprio corpo. As garras dele se cravavam na terra congelada. Os músculos se contraíam, como se um animal gigante lutasse por dentro para sair.

— Você não vai... tocar... neles. — A voz dele arrastou como um trovão preso, mas carregada de fúria real.

Dessa vez não era apenas maldição.

Era ele.

Daimon.

O pai. O monstro. O Alfa.

E ele estava voltando.

— Mas como? — gaguejei, engolindo em seco ao sentir a força da pressão que saía dele. O chão vibrava, meu corpo inteiro recuava mesmo contra minha vontade. — Como você ainda consegue... pensar? Isso não é possível! Você já deveria ter enlouquecido!

Daimon não respondeu de imediato. Seus olhos estavam vidrados, o peito arfando com dificuldade. Os pelos estavam sujos de sangue, a pele rasgada em vários pontos. Mas ele estava de pé.

Tremendo. Mas de pé.

— São minha família... — ele murmurou, os lábios rachados e a voz rouca. — Muita dor... Alec... tão sozinha...

Ele segurava a própria cabeça com as duas mãos, como se estivesse tentando conter algo dentro dele. O corpo curvado, as costas estremecendo. Os músculos se contraíam em espasmos violentos.

Me aproximei devagar, com as garras estendidas.

"Ele ainda sente. Isso não é bom." meu lobo sibilou com repulsa. "Ele não quebrou por completo... isso o torna perigoso."

— Cala essa boca inútil. — rosnei entre os dentes.

Daimon apertou os olhos, respirando forte.

— Airys... não... não faça isso... — a voz saiu mais baixa, embargada, como se ele estivesse lutando contra ele mesmo. — Theron... Orion...

— Me deixe te fazer livre, irmão. — murmurei com desprezo, erguendo as garras, pronto para rasgar o rosto dele e acabar com aquilo de uma vez.

No segundo em que desci o golpe, ele se moveu.

Rápido.

Feroz.

As presas rosnaram rente ao meu rosto e seu braço interceptou o meu com força absurda. O impacto fez meus ossos rangerem. Ele agarrou meu pulso no ar e rugiu contra mim com um ódio que me fez estremecer.

"Isso não é normal! Ele não devia ter forças para isso!" meu lobo guinchou. "Corre, seu idiota!"

— Cala a boca! — rosnei.

Daimon me lançou contra o chão com brutalidade, me arrastando como se eu fosse nada. Meu corpo bateu e quicou de um lado para o outro entre as pedras e a lama, a coluna explodindo em dor. Gemi entre os dentes, tentando me levantar.

— Aí, porra! — gritei, arfando, cuspindo sangue. — Tá mais vivo do que parece, hein?

Ele veio por cima, os olhos pulsando entre vermelho e preto. Socou meu rosto, depois outro, e mais um, até meu maxilar estalar. Agarrando meu pescoço com as duas mãos, me ergueu do chão e me jogou com força contra uma pedra enorme.

A rocha rachou com o impacto.

Minha cabeça bateu com um estalo seco. A visão apagou por segundos. O mundo girava. Senti o sangue quente escorrer pela nuca, pelo canto da boca, o som do meu coração batendo forte no ouvido.

Arfei, tentando focar, mas o peso da mão dele no meu peito me manteve cravado na pedra.

— Preciso voltar. — ele repetia entre dentes cerrados, o rosto sujo, os olhos em guerra com a própria alma. — Eles precisam de mim... minha família...

— Maldição... — murmurei, sentindo a pressão aumentar no peito. — Você devia... estar morto...

Mas não estava.

E aquilo me dava ódio.

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