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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 436

POV: AIRYS

Simon e Jasper estavam logo atrás de mim. Sentia a presença deles sem precisar olhar. O silêncio deles falava mais do que qualquer palavra. Não estavam em paz com o que eu estava prestes a fazer.

Mas estavam comigo.

E isso bastava.

Arfei devagar. O ar entrava pesado, como se meu próprio corpo me alertasse sobre a linha que eu estava cruzando. Uma linha que não teria volta.

"Não precisam concordar..." Rielly rugiu com sede de sangue, ríspida, pulsando fúria. "…só obedecer."

— Meus Lupinos... — comecei, firme, a voz saindo sem pressa, cada sílaba marcada pelo peso do que carregávamos. — Essa guerra já nos fez sofrer demais.

Meus olhos percorriam cada rosto diante da plataforma. Havia dor. Havia feridas ainda abertas. Alguns cobriam cicatrizes frescas com faixas mal colocadas. Outros carregavam olhares vazios, como se tivessem deixado parte de si no campo de batalha.

— Perdemos entes queridos. — continuei. — Sangramos por dentro e por fora. Fomos dilacerados. Quebrados de formas que ninguém deveria suportar.

Apertei os punhos com força. Os músculos dos meus braços enrijeceram, a mandíbula travou. Senti os dentes pressionando com tanta força que a dor explodiu na têmpora. Arfei. O peito subiu e desceu com violência.

— E tudo por quê?

Fiz uma pausa. O silêncio foi total.

— Por ganância. Por sede de poder. Por ego... — apontei com firmeza para os reféns ajoelhados à frente. — Por causa deles.

Minhas palavras cortaram como lâmina crua. Fria. Sem margem para debate.

Eles tremiam. Cada um. O cheiro do medo era sufocante. Podre. Espesso no ar. Um deles sequer conseguiu manter o olhar. Baixou a cabeça, os ombros contraídos. O outro arfava, o suor escorrendo pelas têmporas. O terceiro simplesmente encarava com olhos arregalados, paralisado.

Senti Rielly se agitar dentro de mim, raspando a consciência. Ela estava na superfície. Quase rompendo. Minhas pupilas dilataram no mesmo instante. A respiração ficou irregular. Meus ombros estremeceram com a tensão.

"Estão prontos para morrer." A voz dela surgiu, cravada de fúria. "Você está pronta para matá-los. Mostre o que acontece quando tocam na nossa casa, na nossa família."

— Nós os acolhemos. — falei entre os dentes, rosnando enquanto caminhava devagar, garras à mostra. — Demos abrigo. Alimentamos. Tratamos ferimentos que nem foram causados por nós. Cedemos camas, roupas, recursos.

Meus passos eram firmes, o olhar afiado passava um a um, encarando os prisioneiros de frente. Nenhum deles sustentava. Baixavam os olhos, tremiam, arfavam. O medo era palpável, e o cheiro podre da covardia impregnava o ar.

— Oferecemos tempo. Cuidado. Compaixão. — continuei, com a voz firme. — E o que recebemos?

Parei em frente a um deles na fileira. Olhei direto nos olhos dele. Pupilas dilatadas. Respiração curta. Mãos trêmulas.

— Traição. — sibilei. — Mataram os nossos. Queimaram nossas casas. Cuspiram no nome da alcateia. E ainda ousam pedir misericórdia?

"Arranque a pele deles com as mãos, se for preciso." A voz da Rielly surgiu, grave, impaciente. "Esses vermes não conhecem lealdade. Só sentem quando sangram."

— Luna Suprema... por favor... — um dos reféns tentou se erguer de joelhos. A voz embargada, o corpo tremendo. — Fomos coagidos... eu te imploro por piedade...

Antes que terminasse, me curvei com rapidez e agarrei o pescoço dele. Meus dedos se fecharam em volta da garganta, as garras afundando direto na carne. O sangue escorreu quente entre meus dedos.

— Por favor...

— Foi concedido benevolência... — falei baixo, com a voz firme, o tom carregado de desprezo. — E perdão... para todos que tivessem coragem de revelar seu lado. Para todos que escolhessem estar do lado certo nesta guerra.

Meus dedos apertaram com mais força o pescoço do prisioneiro. Senti a carne ceder, o som da traqueia comprimida, o tremor percorrendo o corpo dele. Seus olhos começaram a revirar, as veias pulsando na testa, a respiração falhando.

— Vocês tiveram a chance. — continuei, firme, encostando o rosto mais próximo ao dele. — E escolheram trair.

A boca dele tentava se abrir, mas não havia mais ar.

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