POV: AIRYS
Dei um passo à frente, me abaixando. Meus joelhos tocaram o chão diante dela.
— Eloy... irmãzinha. — murmurei, com escárnio. — Sabe o que é mais nojento do que sua traição?
Agarrei seu rosto com ambas as mãos sujas de sangue. Meus dedos afundaram com força nas laterais do maxilar, fazendo ela gemer, estremecer.
Apertei mais. O rosto dela tremeu. A pele cedeu. O sangue fresco da execução anterior se espalhou pela pele pálida dela, pintando o medo.
— Acha que eu não sei o que fez enquanto estava presa? — murmurei rente ao rosto dela, encarando direto nos olhos. — Acha que ninguém me contou sobre o acordo sujo com o guarda? Sobre como você usou sua posição para infiltrar assassinos no hospital?
Ela arfou. Chorou mais alto. Tentou negar balançando a cabeça, mas eu não dei espaço para fingimentos.
— Foram você e seus aliados que abriram caminho para os ataques. — continuei, a voz cada vez mais fria. — Que mataram pacientes entubados, guerreiras em recuperação... e crianças.
A voz travou por um segundo. O nó de raiva preso na garganta ameaçou explodir, mas engoli seco e continuei.
— Pequenos lobinhos... com olhos grandes... que ainda nem conseguiam se defender. Você mandou matar cada um deles, Eloy. E agora... — cerrei os dentes, aproximando mais o rosto. — ...você chora? Implora?
Ri. Um riso seco, carregado de desprezo, antes de desferir um tapa com força no lado direito do rosto dela. O impacto fez sua cabeça virar com violência. Antes que respirasse, veio o segundo, na direção oposta. Outro estalo. Outro grito.
Ela gritava alto. Não de indignação, mas de dor. Dor real. Dor desesperada.
Agarrei a corrente de prata presa ao seu pescoço e puxei com brutalidade, forçando-a a ficar de joelhos à minha frente. Ela se engasgou, tentando respirar, os dedos arranhando o chão, os olhos em pânico.
— Você me enoja. — rosnei, sentindo minhas presas expostas, a respiração quente e acelerada escapando entre os dentes. — Eu tenho vergonha de carregar o mesmo sangue que você.
Ela arfava, o corpo tremendo, completamente dominada pela dor e pelo medo.
— Espero que encontre o nosso pai no inferno. — cuspi as palavras com nojo, perto do rosto dela.
"Enterre o nome dela junto com essa vergonha." Rielly estava sombria, envolta em ódio.
Ergui o rosto para o céu, o sangue ainda escorrendo pelas minhas mãos, quente, recente, real.
— Veja, Deusa Lua... — falei alto, a voz vibrando com fúria. — Cada vida caída hoje. Cada alma ceifada. Cada filho seu arrancado dessa terra... é culpa sua.
Minha voz ecoou pela praça, carregada de rancor.
— Por seu egoísmo. Por sua frieza.
Meu peito arfava. A respiração curta, pesada, acelerada pela raiva. Senti as mãos latejarem, os dedos trêmulos, o coração pulsando em um ritmo frenético.
— Você me virou as costas quando mais precisei. — continuei. — Tomou meu companheiro. Tomou a minha filha. Me deixou sangrar sozinha!
Soltei um rugido alto, rasgado, bruto.
Foi o sinal.
Os soldados avançaram com precisão. Os últimos reféns foram arrastados, jogados de joelhos diante do povo. As correntes tilintavam, os gritos abafados pela mão de ferro dos guerreiros.
As garras dos soldados se estenderam ao mesmo tempo, afiadas, prontas para obedecer.
A multidão não respirava.
Me aproximei dos corpos ajoelhados, sentindo o olhar da matilha inteira sobre mim.
— Você tomou tudo de mim. — declarei, olhando de novo para o céu em desafio. — Então eu tomarei o que mais valoriza.
Minhas garras se ergueram.
— A sua paz.
Desci as garras no pescoço de Eloy com precisão, a força suficiente para romper ossos e carne num só golpe.
A cabeça se separou do corpo.
Caiu ao chão com um baque surdo.
O corpo tombou em seguida, sem resistência.
O cheiro de sangue fresco invadiu o ar.
Quente. Denso. Real.
Meus líderes não hesitaram.

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