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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 439

POV: AIRYS

— Você está bem? Selene te machucou? — perguntei, analisando cada pedacinho do corpo dela, dos pezinhos descalços até o topo da cabeça. Meus olhos buscavam qualquer sinal de dor, machucado, medo.

— Me machucou? Não, mamãe… somos amigas. Ela nunca me machucaria. — respondeu Alec com aquela voz baixa, doce, serena, como se tudo estivesse em paz.

Meu lábio inferior tremeu. Que fosse verdade. Que tudo isso fosse só um mal-entendido e não a merda que eu sabia que era.

Me aproximei mais, acariciando seu rosto. A pele quente, macia, viva. Afaguei seus cabelos platinados, iguais aos meus. Ela fechou os olhos por um segundo, descansando o rosto na palma da minha mão como se aquele toque fosse um porto seguro.

Arfei. O peito apertado.

— Filha… — sussurrei, sentindo meu coração afundar. — Por que você foi com a Deusa? Por que partiu, Alec? Por que me deixou?

Ela ergueu os olhos. Brilhantes. Inocentes. Grandes demais para tanta responsabilidade.

— Eu só queria salvar o Theron, mamãe… — a voz da Alec saiu baixinha, embargada, e os olhos brilharam com lágrimas que ela tentava conter. — Eu não queria perder meu irmãozinho… meu coração doeu tanto quando vi ele naquela cama… E o Orion… ele estava assustado, sozinho… eu não podia deixar ele morrer, mamãe. Eu não podia.

As lágrimas escorreram pelo meu rosto antes que eu pudesse controlar. Meus dedos tremeram quando acariciei suas bochechas molhadas, colando nossas testas com força. Fechei os olhos, respirando seu cheiro, aquele cheirinho doce e familiar que me ancorava na realidade, me lembrando do que importava.

Ela era só uma criança.

"Ela é o melhor de você, Airys… o melhor de nós. Mas isso não justifica a manipulação daquela deusa maldita." Rielly rosnou dentro de mim, o tom grave, cheio de revolta. "A pequena agiu com amor… Selene agiu com controle. E isso tem um preço."

— Me perdoa, filha… — sussurrei, a voz falhando, o peito afundando no peso da culpa. — Por você se sentir obrigada a salvar o seu irmão.

Engoli o nó que rasgava minha garganta, sentindo os olhos arderem.

— Eu devia ter protegido vocês melhor. Devia ter feito tudo diferente…, Mas agora eu estou aqui. Theron está vivo. E você vai voltar para casa comigo.

Alec deu um passo para trás, franzindo o cenho, os olhinhos úmidos buscando os meus.

— O quê? — sussurrou, surpresa. — Não, mamãe… eu não posso voltar ainda.

— Como assim não pode, Alec? — a observei atentamente, cada movimento, cada expressão. Depois, virei o rosto e encarei Selene diretamente. Ela nos observava em silêncio, como se aguardasse meu próximo passo. — Não precisa temer, filha. Não vou permitir que essa maldita te machuque ou toque nos seus irmãos.

— Está equivocada, Airys. — a Deusa respondeu, a voz firme, olhando-me de cima como se julgasse cada palavra. — Eu jamais feriria um filho meu.

Arqueei uma sobrancelha, arfando com raiva contida.

— Sua filha não quer partir — continuou Selene — porque compreende o peso do que precisa ser feito. Ela respeita acordos e pactos... diferente do que você fez.

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