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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 443

POV: AIRYS

Ela não se moveu… apenas manteve o olhar fixo em Alec. Havia um brilho diferente nos olhos dela… e por um segundo, jurei ver umidade ali. Lágrimas contidas?

"Agora, Airys." Rielly rosnou dentro de mim, a voz carregada de urgência e fúria, como uma caçadora que vê a oportunidade de abater a presa.

Sem pensar, deixei o instinto tomar o controle. Minhas garras se alongaram, afiadas e famintas, e desci com força contra o pescoço da Deusa Lua. Senti a resistência da pele divina antes de rasgá-la, quente e úmida, e o rugido dela ecoou tão próximo que vibrou no meu peito.

Ela me soltou de repente. Meu corpo despencou contra o chão, e eu caí de joelhos, tossindo sem controle enquanto tentava puxar o ar que me faltava. Cada inspiração queimava como se meus pulmões estivessem em chamas.

Selene estava parada à minha frente, os olhos arregalados e fixos em mim. Suas mãos se ergueram instintivamente até o pescoço, pressionando o ferimento profundo. O sangue escorria por entre seus dedos e caía em filetes grossos, manchando seu manto e o chão.

Ela cambaleou, os joelhos cedendo, até cair com um baque surdo. O corpo tombou lentamente para o lado, e a Deusa acabou deitada sobre a poça vermelha que se formava sob ela. Sua respiração era curta e irregular, o brilho de arrogância nos olhos apagado, substituído por um espanto quase humano.

— Eu… perdi? — murmurou, a voz fraca, soando mais como uma dúvida para si mesma do que para mim. — Como?

Engoli com dificuldade, tossindo mais uma vez antes de erguer o olhar para ela.

— Você hesitou… por Alec. — respondi, a voz rouca e quebrada. — Não queria machucá-la.

— Entendo… — Selene murmurou, a voz embargada, tossindo sangue que escorreu pelo canto de sua boca. — Então é isso que chamam de amor? Não se importar com o que vai acontecer consigo mesma… desde que proteja quem ama?

Suas palavras soaram quase como um sussurro perdido, mas não deixei que me afetassem. Ainda arfava, o corpo dolorido, cada músculo pulsando depois da luta.

— Mamãe! — Alec correu até mim, a expressão assustada e os olhos marejados. Suas mãozinhas pequenas tocaram meus braços com cuidado, como se tivesse medo de me machucar ainda mais. — Você está bem?

Suspirei, arqueando levemente as sobrancelhas ao sentir a preocupação pura dela. Mesmo exausta, não pude deixar de acariciar seu rosto com a ponta dos dedos, sentindo a pele macia e quente.

— Estou… graças a você, filha. — murmurei, a voz falhando entre a dor e o alívio. — Obrigada.

Ela me abraçou com força, o corpinho trêmulo, e fechei os olhos por um instante, inspirando o cheiro dela como se quisesse gravá-lo em minha alma.

"Proteja-a com tudo, Airys." Rielly rosnou em minha mente, a voz carregada de um instinto predatório e feroz. "Ela é o nosso tesouro… e ninguém a tocará novamente."

No chão, Selene ergueu o olhar para nós, os olhos antes dominados por arrogância agora mostrando algo que eu não esperava: reconhecimento. Sua voz soou fraca, quase apagada, mas ainda assim firme o suficiente para chegar até mim.

— Agora entendo, Luna… você é uma verdadeira mãe.

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