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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 454

POV: AIRYS

— Você entendeu, Luna? — a irmã celeste tocou meu ombro, me puxando de volta à realidade. Eu observava a montanha, o vento cortando o rosto, e via meus filhos se preparando ao longe. Voltei os olhos para ela, engolindo em seco.

— Ele precisa ser atraído para dentro do círculo. — a voz dela saiu firme, quase cruel em sua calma. — Quando ele atravessar, o ritual será ativado. A jaula se erguerá e daremos início à magia.

— Sim… eu entendi. — murmurei, o peito arfando. O ar parecia pesado, difícil de puxar. — Isto… vai machucá-lo?

— Não mais que a maldição. — A irmã cega completou, apertando meu ombro num gesto de consolo firme. — Não será fácil, para ele ou para nós, mas faremos o possível.

Engoli em seco, o peito pesado.

— Tem razão. — forcei um sorriso fraco, mas minhas mãos tremiam. Respirei fundo e chamei Jasper com a voz carregada de ordem. — Se algo der errado… se Daimon romper a barreira de novo… você não vai pensar ou contestar. Vai pegar os trigêmeos e desaparecer desta alcateia. Entendido?

Ele me olhou em silêncio por um instante.

— Não é como se eu tivesse escolhas, Airys. — Ele passou as mãos pelos cabelos, nervoso, o olhar fixo na entrada da montanha, como se esperasse o pior a qualquer instante. O corpo inteiro dele vibrava com inquietação.

— Tenho certeza de que ela está bem. — falei firme, ainda que por dentro a incerteza me corroesse. — Savanna é forte. Já sobreviveu a Raiker antes.

— Esse é o problema. — Jasper rosnou, a voz carregada de frustração, os punhos cerrados. — O estado em que a encontrei… — respirou fundo, o peito arfando pesado. — Tão ferida, machucada, o medo estampado no rosto dela…

Arqueei as sobrancelhas, sentindo a tensão subir pelo meu corpo. Ele não era de demonstrar fraqueza, e aquilo me atingiu mais do que qualquer golpe.

— Eu só queria ser capaz de protegê-la. — continuou, a voz mais grave, embargada. — E ainda estar ao seu lado, para te ajudar. Mas sinto que falho em ambos.

— Nós vamos libertar eles, Jasper. — falei firme, batendo o ombro no dele para forçar um mínimo de ânimo. — E quando isso acabar, vamos rir e comemorar juntos. Não é como se Daimon e Savanna tivessem escolha… eles não vão se livrar da gente tão fácil.

— Isso soou um pouco perseguidora. — Ele riu fraco, me empurrando de leve, mas o sorriso não alcançou os olhos. — Você tem certeza de que isso vai dar certo?

— Não. — confessei com a voz baixa, sentindo meu peito arfar enquanto olhava para os meus filhos ajudando a completar o círculo. — Mas não vou deixar o homem que amo perdido na escuridão. Não vou permitir que ele continue longe dos filhos, longe de mim. Droga… — meus lábios tremeram, os olhos ardiam. — Eu o amo demais, e estou morrendo de saudades daquele jeito irritantemente sedutor de me olhar.

Meu corpo estremeceu, um arrepio me percorreu da nuca até a espinha, como se a simples lembrança dele tivesse o poder de me despedaçar por dentro. Apertei os punhos, sentindo as unhas arranharem a própria palma para não deixar a fraqueza transbordar diante de todos.

— Estou vendo que, quando o recuperar, vou ter que passar bons dias de babá para vocês matarem essa saudade toda. — Jasper riu, forçando o tom provocador.

— Você pode ter certeza disso. — mordi os lábios, o gosto metálico da ansiedade queimando minha língua enquanto a lembrança do nosso último momento junto me alcançava. — É estranho... a gente nunca imagina quando será a última vez. O último beijo, o último abraço... — minha voz falhou, os olhos marejando. — O último gemido arrancado no meio da noite, como se fosse eterno...

— Ei? — Jasper parou na minha frente, o cenho franzido e a expressão dura. — Você acha mesmo que vai salvar Daimon com esses pensamentos derrotistas? Nem pensar.

O tom dele foi firme, quase um soco.

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