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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 455

POV: AIRYS

Minhas pernas queimavam, cada músculo implorando por descanso, mas eu não ousava parar. A chuva se misturava à neve, castigando o céu e encharcando meu pelo branco, tornando tudo mais pesado. Ainda assim, eu corria. Jamais desistiria dele.

Meus pulmões ardiam quando bati a pata contra uma poça em frente à entrada de uma caverna. Foi nesse instante que o frio percorreu minha espinha, o instinto gritando perigo. Desviei no último segundo, arfando, quando a sombra enorme saltou em minha direção. O lobo negro caiu pesado, a mandíbula se fechando onde antes estava minha lateral.

— Fenrir! — Gritei ofegante ao aterrissar, sentindo as patas tremerem sob a pressão da terra molhada.

Ele se ergueu, imenso, a cabeça baixa em postura de ataque. As garras arrastavam contra o solo, o som seco ecoando como um aviso cruel. A saliva escorria de suas presas, pingando em meio à chuva. O pelo escuro, agora encharcado, parecia ainda mais denso, mais pesado, cada gota escorrendo até se perder na lama.

Um arrepio brutal percorreu meu corpo quando seus olhos me fitaram, não eram mais dele, mas da maldição que o possuía.

"Não se aproxime, Airys!" Rielly rosnou dentro de mim, feroz, os pelos da loba eriçados. "Ele não é o Daimon agora, é a fera cega da maldição. Se errar, vai ser o fim."

Engoli em seco, arfando alto, o coração martelando contra minhas costelas. O desespero apertava meu peito, mas a dor de vê-lo assim era ainda mais sufocante.

— Daimon… — minha voz tremeu, quase um sussurro. — Não me obrigue a lutar contra você.

Ele rosnou, a terra sob suas patas cedendo com a força da pressão. A fúria estampada em cada músculo, em cada movimento. A fera avançava, e eu sabia que não tinha escolha: ou eu o enfrentava… ou perderia o homem que amava para sempre.

Não havia mais nenhum traço do brilho terroso ou vermelho em seus olhos. Estavam apagados, mergulhados em completa escuridão. Um vazio que não era dele, mas da maldição que o possuía.

O rugido que saiu de sua garganta fez meu corpo estremecer. Ele ergueu a pata imensa e avançou contra mim, brutal, sem hesitação. Desviei no limite, arfando, o coração disparado. As garras rasgaram o ar onde eu estava segundos antes.

A fúria queimou em meu peito. Saltei, batendo contra o focinho dele com toda a força que consegui reunir. O impacto o fez recuar por um instante, sacudindo a cabeça.

— Quer me devorar? — rosnai, a voz carregada de raiva e desespero. — Então venha me pegar!

Corri em disparada, o chão molhado escorregando sob minhas patas, mas o enorme lobo negro estava atrás de mim, cada vez mais perto. A velocidade dele era avassaladora. O ar me faltava, o coração pulsava descontrolado.

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