POV: AIRYS
Fenrir sumiu de vista. Parei próxima ao rio, os olhos vasculhando cada canto, as orelhas eretas, o corpo em alerta. O silêncio me sufocava. Nenhum som, nenhum movimento. Nada.
— Merda... ele desistiu de nos caçar? — murmurei entre dentes, arfando, a respiração pesada.
"Airys, cuidado... em cima!" Rielly gritou, mas já era tarde.
Um impacto brutal me atingiu, o enorme corpo caiu sobre o meu, esmagando-me contra o chão. O peso me sufocou, as costelas protestaram em dor, um estalo seco percorreu meu peito. Minhas pernas cederam, incapazes de sustentar qualquer resistência.
Soltei um gemido ofegante, o ar rasgando minha garganta. A chuva fria batia contra meu rosto, misturada ao hálito quente e faminto da besta que me mantinha presa. Meu coração disparava, o desespero queimava em cada músculo, e por um instante, o medo tentou me dominar.
"Levanta, droga! Não se entrega!" Rielly rosnou feroz dentro de mim, sua raiva tentando abafar minha aflição.
Suas presas se cravaram no meu ombro com brutalidade, rasgando a carne sem piedade. Um grunhido de dor escapou da minha garganta, grave e trêmulo, enquanto o sangue quente escorria, manchando minha pelagem branca.
— Solta, Fenrir... — gemi, a voz embargada, arfando, cada respiração dolorosa. Minhas patas tremiam tentando me soltar, mas o peso dele me esmagava contra o chão, sufocando qualquer resistência. Suas presas afundavam cada vez mais, balançando a cabeça e abrindo ainda mais a ferida, arrancando pedaços de mim. — Merda... me larga!
A dor latejava, cortante, me arrancando suspiros ofegantes e estremecimentos involuntários. Meu corpo tremia, a visão turva pela chuva misturada ao sangue que escorria pelo meu rosto.
"Reage, Airys! Ele vai nos destruir se você não lutar!" Rielly rosnou dentro de mim, furiosa e desesperada, sua voz vibrando como aço contra meu medo.
E então... um som baixo, abafado, atravessou a escuridão.
— Não... — A palavra saiu fraca, distante, mas reconhecível.
Meus olhos se arregalaram em meio ao caos. A voz não era só da fera. Era dele. Daimon.
O lobo hesitou por um breve segundo, e isso foi o suficiente para que eu conseguisse me arrastar para fora, arfando, o corpo trêmulo.
“Apenas corra, leve-o para a montanha!” Rielly rugiu dentro de mim, forçando minhas pernas a se moverem mesmo com a dor queimando.
Voltei a correr sem olhar para trás. Mas a fraqueza não me permitia ignorar, e acabei virando o rosto sobre o ombro. O vi balançar a cabeça de um lado para o outro, como se lutasse contra algo invisível, bater as patas contra o chão enlameado, o som ecoando pesado. E então, de súbito, seus olhos negros e profundos voltaram a se fixar em mim, sombrios, famintos.
Ele avançou.
Meu peito queimava, os pulmões implorando por ar. Cada passo era um esforço desesperado, mas a fera não diminuía o ritmo. Subi a montanha tropeçando entre pedras escorregadias, as patas afundando na neve que só tornava tudo mais lento. O coração martelava contra minhas costelas, como se fosse explodir.
Assim que ultrapassei o círculo, saltei, sentindo as presas dele rasparem contra meu rabo no último instante. Um gemido escapou pela minha garganta, o corpo estremecendo com o impacto ao cair do outro lado.
“Ele quase nos pegou...” Rielly arfou, entre fúria e desespero.
— O pegamos! — Gritou Jasper, arfando, com os músculos tensos no esforço de segurar a contenção.

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