POV: AIRYS
O rugido dele ecoou alto, misturado a um grunhido de dor. As veias escuras pulsaram em seu pescoço, o corpo se contorceu. Ele bateu as garras contra o chão, abrindo fendas, e um gemido baixo escapou dos meus lábios quando o tremor me fez vacilar.
— Eu não vou te deixar! — gritei, a voz embargada pelo choro. — Escute, Daimon! Você é meu, e eu sou sua! A maldição não vai nos separar!
— Presa… — ele rosnou ofegante, a saliva escorrendo pelos dentes, os olhos escurecidos me fitaram com fome. — Carne e sangue!
Meu peito se apertou. Diante de mim não estava apenas a fera da maldição, mas o meu companheiro, o meu Daimon, todo ferido e perdido dentro daquela sombra. Seu semblante era animalesco, mas por trás do terror ainda havia dor. Tanta dor que meu coração quase parou.
— Está tudo bem, meu amor. — Minha voz saiu embargada, mas firme. — Estou aqui por você. Sempre estarei.
Ergui as mãos trêmulas, estendi as garras e rasguei meus próprios pulsos. O sangue escorreu quente, pingando no chão, o cheiro forte preenchendo o ar denso. Ergui os braços na direção dele, arfando entre a dor e a coragem.
— Venha. — sussurrei, as lágrimas queimando meus olhos. — Venha me devorar!
A criatura avançou com brutalidade, suas presas se cravaram fundo no meu pescoço. Meus olhos se arregalaram no mesmo instante, o ar preso nos pulmões escapou em um arquejo alto e dolorido. Um tremor percorreu todo o meu corpo enquanto o calor do sangue escorria pela pele, queimando.
— Eu o escolho, Daimon… — forcei as palavras entre arfadas, a voz rouca, mas firme. — Escolho sua fera, seus demônios, seu medo… o seu caos.
A dor me dilacerava, mas não cedi. Inclinei o rosto para o lado, afastando com esforço o pescoço, mesmo sangrando e latejando pelo pedaço de pele arrancado.
Foi então que senti suas garras se alongarem, afiadas, atravessando meu abdômen como lâminas de pura fúria. Um grito preso escapou da minha garganta, meu corpo estremeceu inteiro, e minhas pernas quase cederam sob o peso da dor lancinante.
— Mamãe, não! — meus filhos gritaram, suas vozes partidas pelo desespero.
Olhei para eles, arfando, e balancei a cabeça em negação, pedindo em silêncio para que não se aproximassem.
— Ela vai morrer assim… — a voz chorosa de um deles ecoou.
— Ela sabe disso. — disse a irmã celeste com firmeza, e as lágrimas deles se transformaram em soluços desesperados.
— Daimon… — minha voz saiu trêmula quando minhas pernas cederam e caí de joelhos, bem diante dele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO