POV: AIRYS
Ofegou, lágrimas se misturando à chuva que escorria por sua pele marcada.
— Minha família… meus filhos… minha companheira… — bateu a mão no peito, o corpo estremecendo, arfando como se o coração voltasse a pulsar dentro dele. — Eu amo! Eu amo vocês!
Os trigêmeos correram em direção a ele, como se tivessem esperado por esse momento a vida inteira. E lá estava ele, finalmente livre da maldição.
Sua forma perfeita se impunha diante de mim. Cabelos escuros com reflexos acobreados, molhados pela chuva, caíam em mechas pesadas sobre o rosto marcado por cicatrizes na bochecha e na sobrancelha. Os lábios finos, firmes, quase trêmulos, e aqueles olhos… os mesmos que me prenderam desde o primeiro dia. Terrosos, profundos, mas agora cintilando em vermelho vivo, intensos sob a luz que os envolvia.
Seu corpo, ainda tremendo pelo esforço, era pura imponência. Os músculos rígidos, tensionados, pulsavam força e ferocidade. A aura dele era brutal, densa, mas ao mesmo tempo… dele. Real. O Daimon que eu conhecia.
— Você… finalmente voltou… — minha voz saiu embargada, os olhos marejados.
Ele não respondeu de imediato. Apenas se ajoelhou, puxando os filhos para junto de si. Seus braços fortes envolveram os três ao mesmo tempo, apertando-os contra o peito largo. Ele inalou fundo, absorvendo cada cheiro, como se quisesse gravá-los na alma.
— Voltou… — repeti, arfando, com as lágrimas caindo sem controle. Meu coração acelerava, o corpo inteiro estremecendo entre alívio e dor.
Falei, mas minha voz falhou quando a visão escureceu. As pernas cederam e, antes que o impacto me derrubasse de vez, Daimon avançou, me segurando contra o peito com força. Seu braço bruto me envolveu, firme, enquanto a outra mão tocava meu rosto como se tivesse medo de me perder naquele instante.
— O que você fez, minha pequena? — a voz dele saiu embargada, tomada por desespero, os olhos terrosos faiscando entre dor e arrependimento. — Me perdoe... me perdoe... eu não quis...

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