POV: DAIMON
— Eu sempre fui, coelhinha. — Sussurrei contra seus lábios, prendendo-a na posse que só eu poderia ter. O beijo foi profundo, carregado de saudade e desejo, como se eu tivesse passado séculos faminto por ela. O sabor dela queimava em minha boca, único, viciante. Airys suspirou, o corpo estremecendo contra o meu, entregando-se ao toque que eu nunca permitiria que fosse de outro. Seu cheiro me invadiu, selvagem e doce, fazendo meu peito arder.
“Delicioso cheiro pecaminoso que sentimos falta.” Fenrir ronronou com sarcasmo e luxúria, salivando como fera. “A pequena voltou para nós... Como ansiamos por devorar novamente.”
Airys afastou os lábios apenas o suficiente para arfar, suas sobrancelhas arqueadas em desafio, mesmo com as bochechas coradas e os lábios úmidos.
— Daimon... — Airys murmurou entre risos nervosos, tentando desviar, mas sem sucesso. — As crianças...
Rosnei fundo, sem me afastar. Encostei nossas testas, forçando-a a manter os olhos nos meus. O som grave da minha respiração ecoava entre nós, e um rosnado baixo vibrou no meu peito, pressionando contra o dela.
— Não deveria ter me marcado se não queria despertar isso em mim. — minha voz saiu áspera, grave, carregada de posse. Apertei sua cintura, aproximando-a ainda mais. — Agora eu estou faminto de saudades de você!
Os olhos dela brilharam, mesmo entre a resistência. Seu lábio inferior tremeu antes de ser mordido com força, como se tentasse conter o próprio desejo.
“Ela nos marcou, Daimon. Nos prendeu.” Fenrir riu, sarcástico, feroz. “Então que arque com as consequências. Devore-a. Ela é nossa, e já não há volta.”
— Depois de tudo o que houve, meu amor... — ela disse, sorrindo largo, aquele sorriso que parecia feito para me desafiar e me enlouquecer. Os dentes brancos alinhados, o contraste perfeito com a pele clara e os fios platinados ainda sujos de poeira e sangue. Seus olhos dourados estavam diferentes, dilatados, riscados de linhas amarelas tão intensas que lembravam o brilho de um sol em fúria. — Podemos passar dias trancados no quarto, e é o que merecemos. — suspirou, cansada, mas provocante. — Sinceramente, preciso muito de um descanso...
— Obrigado. — Acariciei sua bochecha, firme, cobrindo o maxilar dela com a mão e a puxando para ainda mais perto, sem permitir distância. — Por lutar por mim e por Fenrir... por nunca desistir de nós, mesmo quando tudo parecia perdido. Eu sei que foi pesado, que te feri... me perdoe por minha fraqueza, por ter me deixado levar pela maldição e...
Airys não me deixou terminar. Se inclinou rápido, capturando minha boca em um beijo suave, doce, como se quisesse apagar cada palavra antes que ganhasse vida. Sua língua roçou a minha em calma, mas firme, me silenciando de um jeito que só ela ousava.
Suspirei contra seus lábios, afundando os dedos em sua nuca, prendendo-a a mim. Minha respiração se tornou mais pesada, e quando me afastei, apenas o suficiente para encarar seus olhos dourados, resmunguei baixo:
— Airys...
— Você sempre lutou por nós e nos protegeu, Daimon. — Os olhos dela se prenderam aos meus, carregados de convicção. A mão de Airys afagava meus cabelos, ainda ressecados e sujos de sangue seco, como se quisesse apagar cada vestígio da dor. — Eu jamais nos permitiria te perder. Enfrentaria mil batalhas, atravessaria qualquer inferno se fosse preciso... apenas para ter você ao nosso lado. Para manter nossa família unida.
Rosnei baixo, prendendo sua mão contra meu rosto, como se aquele gesto fosse a única âncora que me impedia de ceder.

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