POV: DAIMON
— Se me vencer... pode ficar com ela. — Rosnei, aproximando meu rosto do dele, deixando que visse o brilho assassino nos meus olhos.
— Ei?! — Airys rugiu furiosa, a voz cortante. — Você enlouqueceu? Eu sou sua esposa, sabia?
— Não confia em seu macho? — Arqueei uma sobrancelha em direção a Airys. Ela sorriu, balançando a cabeça em negativa, os olhos brilhando com firmeza. Voltei-me para Raiker, deixando que sentisse o peso da provocação. — Eu, se fosse você, temeria mais a minha companheira do que a mim. Soube que ela mesma matou a sua tão adorada Deusa Lua.
— Selene?! — O olhar dele se arregalou, os lábios se abriram em descrença. Girou a cabeça bruscamente na direção de Airys, cuspindo veneno na voz. — Por isso não regenero... sua vadia maldita!
Cerrei os punhos e acertei o maxilar de Raiker com violência, ouvindo o estalo seco e os dentes se partindo. Agarrei-o pela nuca, esmagando seus cabelos entre minhas garras, e empurrei seu rosto contra o chão. Uma, duas, três vezes, a carne se rasgando, o sangue espirrando em meus braços enquanto sua face se desfazia sob minha fúria.
Arrastei seu corpo pela montanha como se fosse nada, deixando um rastro de sangue e carne triturada, até lançá-lo contra uma rocha com força suficiente para tremer o solo. O impacto fez o ar fugir de seus pulmões num som áspero, arfando, quase se engasgando no próprio sangue.
Virei-me para meus filhos, que me observavam em silêncio, a tensão nos olhos deles me atingindo como lâmina.
— Fechem os olhos e tapem os ouvidos. — Minha voz saiu como uma sentença, fria e irrefutável. As garras se estenderam, afiadas, prontas para rasgar até o último osso do maldito que ousou tocar na minha família.
Voltei o olhar para Raiker, que ainda cuspia sangue, tentando se erguer.
— Isto acaba aqui e agora, irmão. — Minha voz ecoou carregada de ódio, cada palavra como o som de uma execução anunciada. — Você quase destruiu a minha família. Hoje, eu destruo você.
— Desgraçado... eu ainda não terminei. — Raiker rosnou, saltando contra mim com o ódio estampado nos olhos.
No instante em que ele caiu sobre meu corpo, lancei a mão para frente e cravei as garras em seu peito. Senti o osso ceder, a carne se rasgar, até alcançar o coração pulsando. Meus dedos o atravessaram por completo. O som abafado do impacto ecoou, e seus olhos se arregalaram em choque. O corpo ficou pesado, os músculos travaram e, pouco a pouco, foi perdendo as forças, caindo de joelhos diante de mim.
Não retirei minhas garras de dentro dele. Segurei firme, obrigando-o a me encarar enquanto a vida se esvaía. O sangue quente escorria pela minha mão, manchando o chão sob nós. A respiração dele tornou-se irregular, arfando como se cada fôlego fosse o último.
— No final... você sempre foi o mais forte... — sua voz saiu fraca, cuspindo sangue. — Eu... eu te odeio, irmão.
A fúria queimava em minhas veias, mas no fundo, um peso ainda mais sufocante me consumia. Segurei a nuca dele com a outra mão, puxando-o para perto até encostar nossas testas.
— E eu te perdoo, Raiker. — murmurei firme, sentindo o sangue pingar entre nós. — Perdoo sua sede de sangue e poder. Perdoo a inveja que corroeu sua alma... e até por ter assassinado nosso irmão.

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