As palavras de Ricardo atingiram Luana como um choque gélido, varrendo qualquer resquício de esperança ou carinho que ainda resistia em seu peito. O corpo pareceu encolher sob o peso da incredulidade, da humilhação e da raiva que lhe queimava por dentro.
Mas, estranhamente, junto a tudo isso, veio uma serenidade inesperada. Descobriu, naquele instante, que quando a dor era insuportável, as lágrimas simplesmente se negavam a vir. O que sobrava era o vazio, e nele só cabia um riso amargo diante do absurdo.
— Você me acusa de ter ocupado o lugar dela por seis anos... Então está bem. Devolvo esse lugar. — Luana disse, com um sorriso frio, cheio de ironia. — Assim você pode finalmente reparar a sua preciosa Vanessa, dar a ela tudo o que acha que lhe foi roubado.
Ela tentou se afastar, empurrando a mão dele, mas Ricardo a segurou com força pelo braço. Os olhos escuros faiscavam, ameaçadores.
— O que você disse? — A voz saiu baixa, densa, perigosa.
— Eu disse exatamente isso. Vou devolver o lugar dela. — Luana repetiu, firme, libertando-se com um puxão brusco que lhe deixou a pele do braço marcada.
Então, saiu sem olhar para trás.
Ricardo permaneceu parado no centro do quarto, imóvel, o rosto cada vez mais carregado, como se lutasse contra algo que insistia em escapar ao controle.
A simples ideia de que Luana pudesse entrar e sair da sua vida quando quisesse, sem que ele tivesse o poder de detê-la, era insuportável.
O maxilar se contraiu com violência, os dedos crispados ao redor do celular. Discou rápido e deu uma ordem curta, seca, sem espaço para réplica.
...
Horas depois, Luana chegou ao hospital.
Do lado de fora do quarto, ficou parada alguns minutos, observando pela vidraça. Lá dentro, Agatha estava sentada junto à cama, cuidando de Luiz com a dedicação de quem já não sabia distinguir dias de noites.
O olhar atento se movia a cada detalhe, as mãos firmes massageavam os braços imóveis do filho para estimular a circulação, e a expressão cansada denunciava noites maldormidas sustentadas apenas pela devoção.
Luana não conseguiu se mover de imediato. Aquela cena a atravessava como uma pergunta dolorida. Seria esse o verdadeiro amor de uma mãe? Se tivesse tido a sorte de crescer nos braços da sua, teria conhecido aquele cuidado? Aquele calor?
Mordeu os lábios, respirou fundo e girou finalmente a maçaneta.
Agatha ergueu os olhos assim que ouviu o som. A surpresa lhe estampou o rosto, que parecia ainda mais envelhecido pelo sofrimento dos últimos dias.
— Luana?
— Mãe, por que não descansa um pouco? Fico com ele.
Um sorriso leve brotou nos lábios cansados de Agatha. Mesmo sem parar o movimento das mãos, havia ternura na resposta.


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