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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 106

Ricardo, diante dela, parecia um estranho. No início, Vanessa acreditava naquela frieza, convencida de que ele realmente se afastava de Luana. Mas, com o tempo, percebeu que estava enganada.

Sempre havia sinais, seja em pequenos gestos, em olhares discretos ou em silêncios que se prolongavam além do necessário, que denunciavam uma ligação que ele não queria admitir.

E agora? Aquela mulher que sempre desprezava estava prestes a ser aceita de vez na família. Até a velha matriarca parecia se inclinar para o lado dela. Como não se desesperar? Como não enlouquecer de ciúmes?

Ricardo permaneceu imóvel, calado, tão sólido quanto um muro impossível de atravessar. Vanessa, tomada pela angústia, soltou o braço dele e recuou dois passos cambaleantes. As lágrimas escorriam sem controle, e a voz embargada pelo choro que lhe rasgava o peito saiu trêmula:

— Ricardo, você me prometeu...

Ele olhou para ela de soslaio, com os olhos opacos e a expressão impenetrável.

— O que prometi, continua valendo.

Vanessa parou, surpresa, com o coração acelerado. A esperança quase a fez abrir um sorriso, mas antes que pudesse reagir, ele desviou o olhar sem hesitar. Voltou-se para Anabela e disse, firme:

— Leve ela para casa.

Sem mais uma palavra, ele se afastou com passos longos, o casaco ainda úmido do mergulho colando-se ao corpo.

Vanessa ficou parada, encarando as costas dele até desaparecer pelo corredor. O rosto, ainda marcado pelas lágrimas, oscilava entre a palidez e o verde da raiva contida.

Em Bela Vista, Luana mal havia chegado quando o celular vibrou. Era Bernardo.

— Consegui uma pista. O segurança que estava de plantão no dia em que o Luiz foi espancado se chama Bruno. Ele é sobrinho do chefe da Receita Federal.

Luana abriu a geladeira para pegar uma garrafa de água, mas congelou ao ouvir "chefe da Receita Federal". A lembrança das palavras de Miguel veio como um estalo doloroso.

— E a esposa dele... qual é o nome?

Do outro lado da linha, Bernardo fez uma pausa, surpreso com a pergunta.

— Catarina. Trabalha em banco, em cargo de gerência.

Os olhos de Luana se estreitaram quando a revelação se completou dentro dela. Tudo se encaixava, e a resposta estava em Catarina e Pedro.

Pedro ainda estava preso em outro distrito, sem acesso a informações sobre Luiz. Mas se Catarina tinha vínculos próximos com Vanessa, não era difícil imaginar quem havia dado a ordem.

Seu raciocínio correu mais rápido que a respiração. Uma peça importante do quebra-cabeça se encaixava diante de seus olhos.

— Bernardo, pode fazer mais uma coisa por mim?

— Para você? Sempre. — Respondeu ele em tom leve, quase brincalhão.

— Quero que investigue os contatos recentes de Catarina. Cada ligação, cada encontro. E também os lugares por onde ela tem andado.

— Considere feito.

Pela primeira vez no dia, Luana deixou escapar um sorriso verdadeiro.

— Obrigada, Bernardo. De coração.

— Luana, não ultrapasse os limites.

Ela virou o rosto na direção dele, os olhos faiscando.

— Ultrapassar os limites? — Luana repetiu, rindo em descrença. — Você exigiu que eu me ajoelhasse diante do filho da Vanessa e pedisse desculpas. Mesmo quando eu era inocente. E agora, quando peço a mesma coisa em troca, sou eu quem está passando dos limites?

A voz dela tremia de raiva.

— Você sempre acreditou apenas no que quis ver, Ricardo. Sempre acreditou nela. E eu? Eu sempre fui a culpada conveniente, a que podia ser jogada na lama sem direito a defesa.

Ele estreitou os olhos e avançou um passo. A calma da voz não escondia a ameaça.

— Já terminou?

Luana sentiu a garganta secar, o corpo tenso como se cada músculo protestasse, mas não desviou o olhar. O silêncio prolongado parecia arranhar sua pele.

Então veio o golpe.

— Se não fosse você e a avó forçando a Vanessa a sair de casa, acha que ela teria acabado naquela noite, com um estranho? Acha que teria sido vendida pelos próprios pais? — Ele a agarrou pelo queixo, trazendo o rosto dela para perto. As sombras endureciam seus traços. — Ela sofreu tudo isso por vocês. E, enquanto ela era destruída, você se tornou a senhora Ferraz.

Ricardo apertou um pouco mais o queixo dela e concluiu, sombrio:

— Você já teve tudo o que ela perdeu. Por isso, mesmo que eu peça para você suportar, engolir e ceder diante dela, você vai ter que suportar.

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