Sem dar a menor importância ao clima pesado que havia se criado, Mariana ergueu a voz com um ar de superioridade e sarcasmo:
— Eu disse mesmo que você está tentando se encostar num homem rico, e daí? A senhorita Vanessa tem toda a razão, sempre aparece uma vadia sem vergonha como você, querendo se jogar em cima dos outros...
O som do tapa ecoou pelo saguão antes que ela terminasse a frase. Luana não hesitou; sua mão atingiu o rosto de Mariana com um estalo seco, tão firme que fez todos os presentes se virarem de imediato para ver o que estava acontecendo.
Por alguns segundos, Mariana ficou paralisada, sem acreditar que tinha sido atingida em público. Mas logo o choque se transformou em raiva. Os olhos se avermelharam, e ela avançou, pronta para revidar.
Luana, porém, foi ainda mais rápida. Segurou o braço da gerente com firmeza e lhe deu outro tapa, ainda mais forte, que a fez perder o equilíbrio e tombar para o lado.
— Você... você me bateu mesmo? — Mariana gritou, com o rosto ardendo e os olhos marejados de fúria. Levou a mão trêmula à bochecha, a pele já avermelhada. — Segurança! Chamem a segurança agora!
Dois homens uniformizados apareceram correndo. Mariana, ainda sem se recompor, apontou para Luana com a voz estridente e desafinada:
— Ela fez confusão na empresa e ainda me agrediu! O que estão esperando? Levem essa mulher direto para delegacia!
Luana não recuou. Seu olhar estava firme, e sua voz saiu clara e cortante:
— Todo mundo aqui viu o que aconteceu. Você começou a me insultar sem motivo, e eu apenas me defendi. Vim procurar o senhor Ricardo para tratar de um assunto importante, mas você inventou mentiras nojentas sobre mim só porque sou mulher. E ainda teve coragem de me difamar na frente de todos. Como mulher, não sente vergonha de atacar outra assim?
O burburinho entre os funcionários aumentou. Algumas mulheres trocaram olhares de reprovação e comentários baixos:
— O que essa aí pensa que é? Ela também não é mulher?
— Difamar os outros desse jeito... patético.
A cor de Mariana começou a sumir. O nervosismo se estampava em seu rosto.
— Eu... eu só disse que ela não tinha hora marcada! — Ela tentou se justificar, forçando um tom firme que já não convencia.
— E desde quando isso é motivo para inventar calúnias? — Retrucou Luana, mantendo a calma enquanto tirava o celular da bolsa. — Eu não queria ter que ligar, mas já que você me expôs dessa forma, vou falar diretamente com o senhor Ricardo.
As recepcionistas se entreolharam, surpresas. Será que ela tinha realmente o contato dele?
Um arrepio percorreu Mariana. Mesmo assim, ela se lembrou de todos os anos que trabalhava ali. Já tinha visto dezenas de mulheres tentando chamar a atenção de Ricardo, e nenhuma passava da portaria. Convencida de que Luana estava blefando, cruzou os braços e bufou com desprezo:
— Então liga. Quero ver se você conhece mesmo o senhor Ricardo.
Luana apertou o número e encostou o celular no ouvido. O silêncio se estendeu por segundos intermináveis. Ninguém atendeu. Tentou de novo, mas a chamada caiu direto em sinal de ocupado.
Um sorriso amargo escapou de seus lábios. Não era de ironia, mas de frustração e raiva.
Os murmúrios ao redor aumentaram. Mariana ergueu o queixo, ainda mais confiante, e disse em voz alta, para que todos ouvissem:
— Eu não falei? Está aí, fingindo que ia ligar para ele... inventa uma mentira dessas e ainda acha que alguém vai acreditar?
O rosto de Luana escureceu. O coração apertou no peito. Sabia que Ricardo estava ignorando de propósito. Sentindo-se exposta, decidiu não perder mais tempo com brigas inúteis. Guardou o celular com firmeza e se virou para sair.
— Segurem ela! — Mariana ordenou, arrogante. — Agora que foi desmascarada, quer fugir? Hoje não!

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