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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 114

Ela se moveu como uma boneca sem alma, os gestos obedecendo mais à obrigação do que à própria vontade. O corpo parecia pesado, cada movimento carregava uma resistência interna, mas mesmo assim ela se acomodou sobre as pernas dele.

Com dedos rígidos, começou a desabotoar a camisa botão por botão. Cada clique do tecido se soltando soava como um fardo, e a sensação de sufocamento crescia dentro dela, como se fosse arrastada para um lugar sem saída.

Quando alcançou o último botão, os dedos pararam diante do cinto. O ar-condicionado deixava a sala gelada, e o frio atravessava a roupa fina, fazendo a pele arrepiar. Mas o tremor que a tomava não vinha só da temperatura. Era a repulsa que se esforçava para esconder.

Recostado no sofá, Ricardo exalava aquela arrogância habitual. O olhar gélido pousou sobre ela e a voz saiu sem pressa, grave, implacável:

— Por que parou?

Luana fechou os olhos por um instante, inspirando fundo, buscando uma coragem que não encontrava. Tentou se convencer de que aquilo não passava de uma tarefa mecânica, algo vazio, sem importância.

"É só como uma mordida de cachorro. Nada, além disso.", repetiu para si.

Tocou a fivela metálica com mãos trêmulas, mas antes que pudesse abri-la, o pulso foi agarrado com brutalidade.

Ricardo a puxou para frente sem aviso, a força dele lhe arrancando o equilíbrio. A boca dele tomou a sua num beijo bruto, sufocante, que a fez arfar de surpresa. O choque foi imediato.

Ela tentou resistir, mas as mãos dele a imobilizaram contra o sofá, esmagando qualquer tentativa de fuga. A repulsa, já insuportável, ergueu-se como uma barreira ainda mais forte dentro dela. Em desespero, reuniu coragem e mordeu-o com toda a força. O gosto metálico do sangue se espalhou pela boca, lhe provocando náusea.

Ele a soltou de imediato. O rosto endureceu, e os olhos se estreitaram, carregados de uma fúria silenciosa que tornava o ar mais pesado.

O coração de Luana disparou. O arrependimento veio rápido, sufocante.

— Eu... eu não estava preparada... — Ela murmurou, a voz embargada e trêmula.

Ricardo segurou seu queixo com firmeza, obrigando-a a encará-lo de perto.

— É tão difícil agir como antes?

Difícil? Como não era difícil? No passado, ela acreditava na ilusão de que, se se entregasse, talvez pudesse conquistar um espaço no coração dele. Se humilhou, insistiu, se rebaixou... Hoje, tudo o que restava era a lembrança dolorosa de ter sido tola.

As lágrimas brotaram sem controle, deslizando pelas bochechas até caírem sobre os dedos dele. Ricardo enrijeceu por um instante, como se não esperasse aquilo.

A voz dela saiu baixa, partida, como se confessasse a pergunta que mais temia:

— Você me ama?

O cenho dele se franziu, e a impaciência se estampou em seu rosto.

— A posição de senhora Ferraz pode ser sua. Desde que saiba obedecer.

Era a resposta que ela já esperava. Fria e vazia. O sorriso que surgiu em seus lábios foi amargo, sem alegria.

Sim, poderia ser a esposa dele no papel. Mas jamais seria a mulher que ele amaria.

— Se eu obedecer, você vai parar de usar o Luiz contra mim?

Ricardo arqueou a sobrancelha, devolvendo com ironia, a voz arrastada:

— O que você acha?

O peito dela se apertou. A certeza pesou como chumbo. Não havia espaço para ilusões. Se tivesse que se rebaixar, que fosse até o fim. Ao menos assim poderia pensar que estava pagando a dívida com a família Freitas, que um dia a acolhia.

Determinada, voltou a tocar nas roupas dele, os dedos tentando prosseguir.

Mas Ricardo afastou a mão dela com um gesto brusco. O olhar dele, sombrio, carregava algo ainda mais ameaçador.

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