Vir buscá-la?
Luana franziu a testa, desconfiada. O comportamento dele estava fora do padrão. Desde quando Ricardo se dava ao trabalho de buscá-la em qualquer lugar?
Ela demorou a responder, e a voz dele saiu mais baixa, quase impaciente, com um toque de irritação mal disfarçada:
— Não quer?
Luana respirou fundo. Não valia a pena brigar com ele agora, então respondeu:
— Estou na esquina da Avenida Comércio.
Ricardo soltou um som seco e desligou sem cerimônia.
Luana ficou esperando no ponto de ônibus, o vento frio da noite fazendo suas mechas dançarem ao redor do rosto. Alguns minutos depois, o carro familiar parou ao lado do meio-fio, próximo a uma área verde onde as luzes dos postes criavam sombras alongadas.
Ela entrou e colocou o cinto de segurança em silêncio, sentindo o peso do olhar dele sobre si. Ao lado, Ricardo a observava com aquele olhar penetrante e indecifrado, como se tentasse ler algo escrito nas entrelinhas de sua expressão cansada.
— Está se sentindo mal de alguma coisa?
A pergunta veio carregada de algo que Luana não conseguiu identificar. Preocupação? Curiosidade? Ou apenas seu jeito habitual de controlar cada detalhe?
Luana pausou por um instante, mas manteve a expressão neutra, quase estudada.
— Estou bem. Já tomei remédio.
Ele franziu a testa, e um músculo tensionou em sua mandíbula, mas não disse nada. O silêncio no carro era denso, quase palpável.
De repente, Luana se lembrou de algo importante e virou o rosto para ele, seus olhos encontrando os dele por breves segundos.
— Preciso trocar de roupa?
Afinal, a ocasião de hoje provavelmente seria formal. Ela estava vestindo apenas uma blusa branca simples e uma calça social, nada que chamasse atenção ou estivesse à altura dos eventos que Ricardo costumava frequentar.
Ricardo se recostou no banco, passando a mão pela testa com um gesto cansado, os dedos massageando as têmporas.
— Não precisa.
Ela não perguntou mais nada. Apenas virou o rosto para a janela e observou as luzes da cidade passarem em um borrão colorido.
...
Às sete da noite, Luana e Ricardo chegaram ao Sabores da Alma, o restaurante mais renomado e luxuoso de Oeiras, um verdadeiro templo da alta gastronomia e dos encontros de elite.
Luana já achava que o salão Imperial era extravagante, mas o salão Nono Céu era absurdamente luxuoso, quase surreal em sua opulência. Só o aluguel mínimo por uma noite custava mais de oitocentos e oitenta mil reais.
Mesmo com dinheiro, era quase impossível conseguir reservar, pois a lista de espera era de meses, às vezes anos.
Ao entrar no salão, Luana ficou impressionada com a arquitetura de estilo palaciano, com colunas esculpidas em madeira de lei adornadas por dragões entrelaçados, ornamentos de jade que refletiam tons esverdeados sob a luz e lustres de cristal que pareciam cascatas congeladas no tempo. Cada detalhe era uma obra de arte meticulosamente planejada. Não era à toa que era tão disputado pela elite de Oeiras.
Assim que Ricardo entrou, vários empresários e personalidades importantes se aproximaram para cumprimentá-lo. Entre eles estavam líderes regionais, diretores de grandes corporações e diversos professores e especialistas renomados da Associação Médica de Oeiras.
Alguns deles, Luana reconheceu de conferências e publicações acadêmicas.
Um professor de meia-idade, com cabelos grisalhos e óculos de armação dourada, a notou e sorriu com genuína surpresa.
Luana olhou para Ricardo, que mantinha uma expressão calma, quase indiferente, como se não tivesse acabado de criar uma cena embaraçosa. Ela não conseguia entender o que diabos ele estava aprontando, qual era o jogo dele dessa vez.
Naquele momento, ela viu duas figuras familiares no meio da multidão. Henrique e Helena estavam conversando com Vinícius. Eles estavam representando a Sinar Medical, então fazia sentido que estivessem ali.
Ricardo percebeu que o olhar de Luana estava fixo na direção de Vinícius, e algo escureceu em seus olhos. Largou a taça com mais força do que o necessário e caminhou até os três.
Henrique o viu e ficou levemente surpreso, as sobrancelhas se erguendo.
— Ricardo?
Ele assentiu brevemente, com a expressão neutra.
— Tio, o senhor e tia Helena também vieram.
— Sua avó nos pediu para vir. — Henrique pausou, o olhar deslizando para Luana, que estava um pouco afastada, observando a cena com uma expressão ilegível. — Você veio com a Luana?
Não só ele, Helena também ficou surpresa, seus olhos se arregalando antes de disfarçar com um sorriso educado.
Afinal, Luana havia sido casada com Ricardo por seis anos, e exceto quando Sofia exigia sua presença em eventos familiares, ela nunca havia visto Ricardo trazê-la para eventos públicos como este, muito menos por iniciativa própria.
— Algum problema? — Ricardo não respondeu, mas também não negou, sua voz saindo fria e desafiadora.
Henrique soltou uma risada constrangida, coçando a nuca.
— Não, nada. Só é raro ver você trazendo sua esposa para esse tipo de ocasião.
— Esposa? — Vinícius olhou para Ricardo com surpresa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...