Encostada nos azulejos frios do corredor enquanto esperava pelo pai, Luana foi invadida por uma impotência avassaladora ao relembrar o estado da mãe. Embora o Alzheimer fosse uma doença infelizmente comum, quando atingia um ente querido, a dor era como uma faca cega cortando a carne lentamente, uma dor que, como angústia, ninguém de fora conseguia compreender em sua totalidade.
A porta do quarto se abriu e Danilo saiu. Ao ver o abatimento da filha, ele se aproximou e tentou confortá-la.
— Não se preocupe, é impossível que ela te esqueça de verdade. Está guardado no coração. — Ele fez uma breve pausa antes de continuar, com convicção. — Sobre o experimento... faça o que for preciso. Sei que é para o bem dela, então eu não me oponho.
O apoio incondicional do pai devolveu um pouco de força a Luana. Ela ergueu a cabeça, os olhos marejados lutando para não deixar as lágrimas caírem, e sussurrou com a voz embargada:
— Obrigada, pai.
Ele sorriu e deu tapinhas leves no ombro dela.
— Vamos lá. No que eu puder ajudar, é só falar.
...
Enquanto isso, no Instituto de Pesquisa.
— Liliane, desculpa o incômodo de te pedir para levar esses arquivos aos departamentos. — Disse um colega, entregando-lhe uma pilha de papéis.
Liliane ajeitou os documentos nos braços e abriu um sorriso radiante.
— Que isso, tranquilo! Eu estava à toa mesmo. Já que não sei fazer os experimentos complexos, podem deixar o trabalho braçal comigo que eu resolvo!
Assim que ela se afastou, dois outros colegas se aproximaram do rapaz que havia pedido o favor, com expressões curiosas e maliciosas.
— Ei, como é que essa garota rica e bonita do departamento de vocês é tão prestativa assim? E tem um gênio ótimo. Quando você vai nos apresentar?
— Ah, melhor não... Ela tem costas quentes, entrou por indicação. — Desconversou o rapaz, receoso.
— E daí que tem indicação? Conhecer não tira pedaço. A gente só quer chamar para tomar um drink, não vamos morder a garota. — Retrucaram eles, rindo e começando a fazer piadas sobre a situação.
De repente, uma voz gelada cortou o ar atrás deles:
— Vocês são pagos para trabalhar ou para planejar happy hour no meio do expediente?
Valentino surgiu como uma sombra, fazendo os dois rapazes pularem de susto e endireitarem a postura imediatamente.
— Doutor... Dr. Valentino! — Gaguejaram.
Valentino ignorou a dupla e fixou o olhar severo no rapaz do próprio departamento.
— Ainda não voltou para sua mesa?
— Ah, sim, claro! Já estou indo. — Respondeu o garoto, saindo apressado, sem ousar olhar para trás. Os outros dois se entreolharam e também trataram de arrumar desculpas para sumir dali.
Sem mudar a expressão impassível, Valentino caminhou de volta para a área de trabalho. Assim que entrou, avistou Liliane distribuindo os arquivos. Ela conferia cuidadosamente o nome em cada pasta antes de colocá-las nas mesas correspondentes. Havia dias que ela realizava aquele trabalho monótono, mas parecia fazê-lo com um prazer genuíno.
— Encontro... Você e a Luana? — A ficha caiu e ela quase gritou. — Vocês voltaram?!
— Estamos caminhando para isso. — Respondeu ele, impaciente. — E anda logo. Se o roteiro for ruim, esqueça a mesada extra.
Ricardo desligou sem esperar resposta. Poucos instantes depois, uma notificação de transferência bancária apareceu na tela do celular de Liliane. O valor era generoso, muito acima do esperado.
Olhando para todos aqueles zeros na tela, Liliane sorriu de orelha a orelha. A irritação com Valentino sumiu num passe de mágica. Ela terminou de distribuir os arquivos rapidamente e correu para sua mesa, mergulhando na internet em busca das melhores "dicas de encontro romântico".
Do outro lado da cidade, Danilo usou sua influência para garantir que a Sra. Souza fosse levada ao hospital para o procedimento de punção.
Inicialmente, o médico chefe hesitou em realizar o procedimento, temendo a fragilidade da paciente. Mas ao saber que Luana era pesquisadora do renomado Instituto de Tecnologia Médica e após verificar suas credenciais, ele concordou em realizar a coleta da amostra.
Com a amostra devidamente armazenada, Luana não teve pressa em ir embora. Ela voltou ao quarto para verificar o estado da mãe. Felizmente, tudo havia corrido bem e os sinais vitais estavam estáveis.
Danilo se acomodou na poltrona ao lado da cama.
— Luana, pode ir tranquila levar a amostra. Fico com ela aqui.
Ela baixou o olhar para a mãe adormecida e assentiu.
— Qualquer coisa, se a mãe acordar, o senhor me avisa?
— Pode deixar, aviso sim.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...