Atrás da ampla janela de vidro que ia do chão ao teto do quarto, Ricardo estava acomodado no sofá, com as pernas cruzadas e folheando um livro com uma postura despretensiosa. A luz do dia atravessava o vidro obliquamente, desenhando uma pequena sombra na lateral de seu nariz reto e banhando seus cílios longos em uma aura suave e dourada.
Com os dedos de articulações bem definidas segurando a borda da página, ele ouviu a voz dela pelo telefone e curvou os lábios num sorriso discreto.
— Você acha que estou abusando da sorte? — Perguntou ele.
— Você também não perde a chance de abusar quando pode. — Retrucou ela do outro lado da linha.
O sorriso dele se aprofundou.
— Tudo bem, então fica combinado para o fim de semana.
Luana suspirou antes de mudar o tom para algo mais sério:
— Sobre o casamento da Rita com o Tomás... eu preciso que a família Lopes recue por conta própria. Afinal, ficaria chato eu rejeitar o vovô diretamente.
Se ela se opusesse abertamente à união, independentemente da atitude de Afonso, César certamente usaria isso como pretexto para criar novos problemas. O que ela menos queria era colocar seu irmão e seu pai em mais uma situação difícil ou constrangedora.
Ricardo captou a preocupação nas entrelinhas e concordou com um murmúrio grave de entendimento.
— Deixe o assunto da família Lopes comigo. Eu resolvo.
...
No dia seguinte, a atmosfera na sala de jantar era tranquila enquanto Luana tomava o café da manhã com o pai e o irmão. Ela tomou algumas colheradas do mingau quente, mas o olhar distante denunciava sua inquietação. Após hesitar por um longo momento, ela finalmente quebrou o silêncio:
— Pai, tem algo que quero falar com o senhor há um tempo, mas não sabia como começar.
O coração de Danilo disparou instantaneamente.
"Seria sobre aquele tal 'Sr. Luciano'?", pensou ele, apreensivo. "Será que minha filha está namorando ele?"
Sem poder fazer a pergunta que realmente queria, ele tentou manter a casualidade na voz e respondeu:
— Pode falar direto, filha. Você sabe que geralmente eu aguento o tranco.
Luana mordeu o lábio inferior, buscando as palavras certas.
— O nosso instituto está desenvolvendo um novo lote de medicamentos para pacientes com Alzheimer, mas encontramos alguns obstáculos técnicos e eu...
A menção à doença fez um silêncio pesado pairar sobre a mesa. A mãe de Luana sofria de Alzheimer e, embora o quadro estivesse momentaneamente estável, cada sinal de perda de memória ou oscilação de humor era como uma agulha perfurando o coração da filha. O desenvolvimento do remédio havia chegado à fase crucial de testes clínicos, e o perfil ideal de voluntário para validar a pesquisa era justamente alguém com o quadro clínico de sua mãe.
Ela sabia que aquilo representava a esperança de recuperação não só para sua mãe, mas para inúmeros outros pacientes. No entanto, a frase "preciso que a mãe colabore com o experimento" parecia pesar toneladas em sua garganta, recusando-se a sair. Ela conseguia até imaginar a reação do pai, achando aquilo um absurdo completo.
Ao entrarem, Danilo caminhou até a esposa, curvou-se levemente e apoiou a mão no encosto da poltrona dela.
— Gisele, trouxe a nossa filha para te ver. — Disse ele, com ternura.
A Sra. Souza virou a cabeça devagar, com um olhar vidrado. Ela encarou Danilo por um momento e depois fixou os olhos em Luana, com um vazio assustador na expressão.
— Quem são vocês?
Danilo congelou. Ele olhou imediatamente para a cuidadora ao lado, buscando explicações. A enfermeira, com o semblante preocupado, sussurrou:
— Sr. Danilo, a Sra. Souza parou de reconhecer as pessoas há alguns dias. O Dr. Diogo a examinou e disse que o quadro se agravou repentinamente. Os remédios atuais não estão mais surtindo efeito.
Luana sentiu as mãos se fecharem em punhos ao lado do corpo. Ela caminhou lentamente até a mãe e se agachou à sua frente, buscando o olhar dela.
— Mãe, sou eu... Sua filha, a Luana.
— Filha... — Repetiu a Sra. Souza, olhando através dela. — Você é a minha menina? Não, isso não está certo... A minha menina já não está mais aqui.
Ela balançou a cabeça em negação, murmurando com uma tristeza distante:
— Ela já se foi.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...
São quantos capítulos?...
Kd o capítulo 520???...
Quero ler o livro completo como faço?...
Ler o livro a partir do capitulo 561...
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