— Você precisa de alguma coisa? — Perguntou Ricardo, observando-a com atenção.
Anabela baixou os olhos, mordendo o lábio inferior. Depois de alguns segundos de hesitação, respirou fundo e falou, num tom que misturava dúvida e inquietação:
— Acho essa história toda muito estranha. Quando o Leo caiu na água, não tinha ninguém por perto. E justo a Vanessa aparece na hora exata para salvar ele. Você não acha coincidência demais? Será que isso tudo não foi armação dela?
Ricardo permaneceu em silêncio por um instante, o olhar fixo nela. O maxilar se contraiu levemente antes que ele respondesse, num tom mais frio:
— Você está insinuando que a Vanessa empurrou o Leo na água... isso tudo foi armação dela?
Anabela deu de ombros, tentando parecer casual, mas a expressão traía um desconforto crescente.
— Vai saber... — Ela murmurou, desviando o olhar. Logo em seguida, voltou a encará-lo, a curiosidade vencendo a prudência. — A Luana está grávida, não está?
Ricardo arqueou as sobrancelhas, surpreso com a pergunta.
— Quem te contou isso?
— Ninguém. Só perguntei. — A voz dela soou apressada, como se tentasse disfarçar o nervosismo. Mas, por dentro, o coração batia acelerado. Aquela lembrança não lhe saía da cabeça. A ligação de Vanessa e as palavras frias que ela havia dito, afirmando que, se aquela criança não desaparecesse, nunca conseguiria entrar de vez na família Ferraz.
Mas se não era filho da Luana, então de quem mais poderia ser?
Ricardo franziu o cenho e soltou um suspiro impaciente.
— Para de inventar moda, Anabela. — Endireitou o paletó, num gesto automático, como se quisesse encerrar o assunto. — O Leo é filho dela. Que mãe no mundo faria mal ao próprio filho?
Sem esperar resposta, ele se virou e entrou na sala, deixando-a parada no corredor.
Anabela o seguiu com o olhar até que ele desapareceu atrás da porta. Cruzou os braços, soltando um som abafado, entre irritação e despeito. No fim das contas, o filho era dele, não dela. Então por que, afinal, ela deveria se preocupar tanto?
...
Vanessa voltou ao hospital com o rosto carregado e o olhar distante. Assim que estacionou no subsolo e estava prestes a abrir a porta, uma mão forte agarrou seu pescoço e a puxou bruscamente para o banco de trás.
Ela se debateu num reflexo de pânico, tentando se soltar, até que reconheceu o rosto do homem à sua frente. O medo deu lugar a um sorriso nervoso.
— Você quer me matar de susto, é? — Ela tentou disfarçar o tremor na voz.
Bernardo não respondeu de imediato. Seu olhar era duro, frio, quase impassível. Quando finalmente falou, o tom baixo e contido fez Vanessa se encolher:
— Mandei você mexer com a Luana?
Ela piscou, surpresa, mas logo recuperou o controle. Passou os dedos devagar pelo peito dele.
— Eu só fiz ela perder o bebê, nada demais. E, convenhamos, aquela criança era do Ricardo, não sua. Que diferença faz?
O maxilar de Bernardo se contraiu, e o silêncio que se seguiu foi tenso o bastante para fazê-la hesitar. Mesmo assim, Vanessa insistiu, mantendo o jogo perigoso que conhecia tão bem.
Bernardo saiu do elevador ajustando a gravata, e, por acaso, deu de cara com Luana no corredor. O movimento das mãos cessou no mesmo instante.
— Oi, Bernardo. Que coincidência. — Cumprimentou ela com um sorriso cortês.
Enquanto falava, o olhar de Luana, sem intenção, pousou no pescoço dele. E ali, uma marca avermelhada chamou sua atenção. Por um segundo, ela ficou imóvel. Aquele tipo de marca não era difícil reconhecer.
Um pequeno choque atravessou sua mente. Será que ele estava se envolvendo com alguém?
Bernardo notou o olhar dela e, num gesto rápido, puxou a gola da camisa para cima, tentando esconder o que já estava evidente. A expressão denunciava desconforto.
— Olha, não pensa besteira, tá? — Ele murmurou, evitando encará-la diretamente. — Eu não tenho ninguém.
Pelo menos, não no sentido verdadeiro da palavra.
Luana apenas assentiu, acreditando que ele estivesse sem jeito para admitir algum relacionamento, e preferiu não insistir.
O silêncio pairou entre os dois por alguns segundos, até que o som do elevador se fez ouvir novamente. Quando as portas se abriram, Vanessa apareceu.
Os três se entreolharam por um instante curto, mas suficiente para deixar o clima tenso.
O olhar de Vanessa passou brevemente pelo abdômen de Luana antes de voltar ao rosto dela.
— Dra. Luana, que recuperação rápida. — Ela comentou com um sorriso suave, embora o tom carregasse uma ponta de ironia. — Já voltou ao trabalho?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Kd o capítulo 520???...
Quero ler o livro completo como faço?...
Ler o livro a partir do capitulo 561...
Ler o livro completo...