Porque ela era bonita demais para aquela situação. E o filho solteirão e simplório daquela família... todo mundo na vila conhecia bem a história dele.
Mesmo com a família tendo boas condições financeiras, ninguém com o mínimo de juízo aceitaria casar com um homem velho e com deficiência mental. Por isso, quando apareceram com uma moça jovem e tão bonita assim, era impossível não levantar suspeitas de que se tratava de mais uma pobre coitada trazida à força. Afinal, aquilo já não era a primeira vez que acontecia.
Gabriela percebeu naturalmente os olhares cheios de julgamento e os sussurros que corriam entre os presentes. Com um sorriso falso estampado no rosto, ergueu a voz para anunciar:
— Esta aqui é minha sobrinha, Luana, a filha do Douglas.
— A filha do Douglas? — Uma senhora idosa examinou Luana de cima a baixo com olhar crítico. Depois se virou para Vera, a expressão carregada de reprovação. — A senhora realmente tem coragem, hein!
Vera soltou um som desdenhoso pelo nariz, como se aquilo não fosse da conta de ninguém.
— Mulher crescida tem que casar mesmo. Não tem nada de coragem ou não nessa história.
A velha senhora suspirou profundamente, balançando a cabeça com pesar, mas também não tinha poder algum para interferir naquela situação.
— Esposa! Minha esposa! — Um homem vestindo trajes de noivo foi trazido com a ajuda de outras pessoas, os passos cambaleantes e inseguros. Devia ter uns quarenta e poucos anos. Por ter sofrido de poliomielite desde criança, metade do rosto era paralisado, a fala arrastada e difícil de entender, e a capacidade mental estava congelada aos oito anos de idade.
Gabriela caminhou até ele forçando um sorriso no rosto.
— Heitor, esta aqui vai ser sua esposa daqui para frente. Você tem que cuidar muito bem dela, viu?
— Cuidar! Vou cuidar da esposa! — O homem chamado Heitor deu uma risada boba enquanto a saliva escorria pelo canto da boca. Quando olhou para Luana, uma expressão estranhamente tímida apareceu no rosto deformado, os olhos arregalados fixos nela. — Bonita...
Luana permaneceu indiferente durante todo o espetáculo, o rosto uma máscara vazia de emoções. Ignorou por completo as palavras das pessoas ao redor, a mente vagando para longe daquele lugar, como se seu espírito já tivesse se desconectado daquele banquete grotesco.
Finalmente encontrou uma brecha no momento exato em que outras pessoas ajudavam Heitor a se aproximar dela. Num movimento súbito, ela empurrou o homem com toda a força que tinha.
Heitor caiu pesadamente no chão e começou a chorar alto como uma criança, o corpo se contorcendo no chão de terra batida.
O casal de idosos correu desesperado em direção ao filho caído, tentando levantá-lo enquanto murmuravam palavras de consolo.
Vera apontou o dedo trêmulo de raiva na cara de Luana, os olhos praticamente expelindo chamas.
— Sua desgraçada! Você enlouqueceu de vez, é?
Justamente quando todos os olhares estavam focados em Heitor chorando no chão, Luana aproveitou a distração para empurrar violentamente as pessoas que bloqueavam seu caminho e disparou em direção ao portão, o coração batendo forte no peito.
Justamente naquele momento de colapso e desespero, vários carros luxuosos surgiram na estrada e pararam em fila perfeitamente alinhada na beira da via, os para-brisas espelhados refletindo a luz do sol.
Todos olharam espantados, paralisados pela súbita aparição. Aquela demonstração de poder não era pouca coisa.
Fernanda e vários seguranças desceram dos veículos em movimentos coordenados. Ela segurava uma sombrinha elegante e caminhou com passos medidos até a porta traseira para ajudar Ricardo.
Ricardo saiu do carro com movimentos controlados, as pernas longas primeiro. Vestia um terno casual cinza-escuro de tecido visivelmente caríssimo e de altíssima qualidade, o paletó de botão único ajustado ao corpo, com um broche de diamante azul preso ao bolso do peito. A gola da camisa estava levemente aberta formando um decote em V, revelando a pele clara da base do pescoço.
Ele pegou a sombrinha das mãos de Fernanda sem dizer nada e caminhou acompanhado por todo o grupo de seguranças, a presença imponente e intimidadora.
Gabriela observou aquela demonstração de poder e os carros luxuosos enfileirados. Era óbvio que aquelas pessoas não eram comuns, o tipo de gente que ela nunca havia visto de perto antes.
— Vocês vieram para o casamento, é? — O pai de Heitor se aproximou com um sorriso simpático no rosto, sem fazer ideia de qual família teria convidado parentes tão importantes assim.
Ricardo ignorou o homem, como se ele fosse invisível. Seus olhos procuraram e encontraram Luana no meio da multidão.
Entre tantas pessoas vestidas de preto e cores escuras, ela era uma mancha de vermelho vibrante caída no chão empoeirado. Os olhos frios dela brilhavam úmidos de lágrimas contidas, o rosto marcado pela palmada, despertando uma compaixão imediata em quem olhasse.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...