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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 624

Após acompanhar César até a saída, o mordomo retornou ao escritório em passos silenciosos, buscando acalmar os ânimos de Afonso e quebrar o clima pesado.

— Consigo notar que o Sr. César está arrependido de verdade, patrão. Por que não dar a ele uma segunda chance? — Ponderou o funcionário com cautela.

Afonso permanecia acomodado em sua poltrona atrás da mesa de carvalho, repousando com os olhos cerrados. Ele sequer piscou ao responder com uma voz ríspida e inabalável:

— Qualquer um pode se arrepender das burradas que faz na vida. No entanto, quem tem a audácia de agir com maldade, precisa ter a mesma coragem para arcar com as consequências de seus atos.

Tendo servido àquela família por décadas a fio, o mordomo compreendeu a mensagem nas entrelinhas quase no mesmo instante.

Afinal de contas, César era um dos grandes culpados pela tragédia que tirou a vida de Yasmin. Mesmo sem ter sujado as próprias mãos de sangue, o homem havia participado de todo o complô e assistido à execução de camarote, o que fazia dele um cúmplice direto de homicídio doloso.

A responsabilidade que Afonso exigia significava, em poucas palavras, que ele também poderia se responsabilizar pela morte de Yasmin.

— E como andam as coisas para o lado do Vinícius? — Indagou Afonso, mudando de assunto de forma abrupta enquanto abria os olhos.

O mordomo pigarreou antes de dar o relatório.

— O senhor Vinícius continua tentando colocar algum juízo na cabeça do... — Ele hesitou por uma fração de segundo, corrigindo a própria fala ao perceber o olhar duro do chefe. — Na cabeça de Carlos.

— Pura emoção barata. — Desdenhou Afonso, franzindo o cenho enquanto puxava o ar com força, transbordando impaciência. — Ele é mole demais, tem o mesmo coração brando do Danilo. Não podemos empurrar essa sujeira para debaixo do tapete por muito tempo, pois logo a imprensa vai farejar o escândalo e a situação vai fugir por completo do nosso controle.

O velho fez uma pausa estratégica, deixando o peso de suas próximas palavras pairar no ambiente.

— Ela tirou a vida de uma filha minha e arruinou um dos meus filhos, então não tenho mais saliva para gastar com essa mulher. Quero que você prepare o terreno para mim. Faço questão de colocar um ponto final nessa história com minhas próprias mãos!

Sem espaço para rebater, o funcionário guardou suas opiniões para si e apenas assentiu em reverência antes de se retirar do escritório.

Dois dias se arrastaram até que Carlos finalmente solicitou o exame de DNA. Quando o capanga lhe estendeu o envelope pardo junto com uma pasta, um tremor frio percorreu sua espinha.

Faltou-lhe coragem para segurar os papeis, limitando-se a fazer um gesto seco para que o homem deixasse tudo sobre a mesa. Assim que ficou sozinha no cômodo, seus olhos grudaram na pasta azulada com uma mistura nauseante de pavor e expectativa. A hesitação a corroeu por longos minutos, mas a necessidade de encarar a realidade falou mais alto e ela rasgou o lacre com os dedos trêmulos.

O resultado do laudo genético entre ela e Vinícius saltou aos seus olhos, revelando incompatibilidade total, zero laços consanguíneos.

Carlos bateu a pasta contra a mesa com brutalidade, fechando o documento em um rompante. Seu rosto perdeu a cor, assumindo uma expressão pálida e contorcida de amargura.

A dura realidade bateu à porta de vez. Ela não pertencia à família Souza. Nunca pertenceu! E o mais cômico, ou talvez trágico, era o quanto aquela constatação parecia uma piada de mau gosto orquestrada pelo destino.

Sem que ela percebesse, Vinícius já estava encostado no batente da porta, acompanhando a cena em silêncio absoluto. Ele lançou um olhar rápido para a papelada esparramada na madeira escura.

— Eu sabia que você não iria resistir e faria o teste de qualquer jeito. — Comentou ele, com uma voz calma, cortando o silêncio denso do recinto.

Carlos deu um sobressalto, virando-se com os olhos faiscando de fúria e o rosto transfigurado pelo desprazer.

— E quem deu permissão para você sair daquele quarto? — Rebateu ela, com os dentes trincados.

— Você sabe que não pode me manter trancado aqui para sempre.

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