Entrar Via

A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 717

Despertando dos seus pensamentos, Ricardo voltou a atenção para Luana. Ela estava concentrada, segurando uma caneta enquanto escrevia o seu pedido na fita colorida que havia acabado de pegar.

— Ô moço bonito, não vai querer uma fitinha também para fazer um pedido? É baratinho, só quinze reais. O dinheiro ajuda a manter a igreja e ainda traz sorte! — Ofereceu uma dona sorridente que cuidava da banquinha, esbanjando a simpatia típica da região.

— Vou querer sim. — Concordou Ricardo. Ele pegou o celular, escaneou o código PIX impresso na plaquinha da barraca e completou o pagamento. — Pode cobrar a dela junto.

A vendedora entregou a fita nas mãos dele. Ricardo sacou a caneta-tinteiro que sempre carregava no bolso, traçou algumas palavras rápidas no tecido e, com gestos ágeis, amarrou a fita na grade de ferro da igreja. Todo o processo não levou mais do que alguns minutos, e Luana estava tão distraída com o próprio pedido que nem percebeu.

Quando notou que ele se aproximava, ela cobriu a fita com as mãos em um sobressalto.

— Não pode olhar!

— E por que não? — Perguntou ele, erguendo uma sobrancelha.

— O pessoal diz que, se outra pessoa ler, o desejo perde a força e não se realiza.

Ricardo ficou em silêncio por alguns segundos, processando a lógica dela, e então rebateu com a maior seriedade do mundo.

— Mas todas essas fitas amarradas na grade ficam expostas para qualquer um que passar por aqui ler. Seguindo a sua teoria, nenhum desses pedidos vai se realizar.

Luana ficou sem resposta. O argumento dele fazia tanto sentido que ela não conseguiu pensar em uma forma de retrucar.

Vendo a expressão frustrada e a testa franzida dela, Ricardo deu uma risada leve e virou de costas.

— Está bem, está bem. Eu não vou olhar.

Com o caminho livre, Luana amarrou a sua fita na grade. O vento soprou, fazendo o tecido colorido dançar junto com milhares de outros desejos anônimos. Ela voltou para o lado de Ricardo, tomada pela curiosidade, e se esticou para tentar ver o rosto dele.

— Você não vai escrever um pedido também?

— Eu já escrevi.

— Quando? — Perguntou ela, confusa.

Ele apontou com o queixo para um canto da grade. Assim que Luana virou o pescoço para tentar encontrar a fita dele, Ricardo cobriu os olhos dela com uma das mãos, puxando-a de leve para trás.

— Você mesma disse que, se alguém olhar, não se realiza.

— Ah, qual é! Me conta o que você escreveu, vai! — Insistiu Luana, recusando-se a desistir da fofoca.

— Senhora Glória.

A postura dele era de extrema humildade e respeito.

Glória Fonseca soltou um suspiro cansado, a voz rouca denunciando a idade avançada.

— Faz tantos anos que não nos vemos... Você envelheceu bastante. Pelo visto, as coisas não têm sido fáceis para a família Marques nos últimos tempos.

José deu um sorriso contido e abriu espaço, convidando-a para entrar no carro que os aguardava.

Já dentro do veículo, Glória massageava as têmporas com os dedos, enquanto a jovem ruiva ao seu lado cuidava de massagear as pernas da idosa para aliviar o inchaço da viagem.

— Como a Janice tem passado todos esses anos? — Perguntou Glória, quebrando o silêncio.

José olhou pelo espelho retrovisor antes de responder.

— Ela tem vivido muito bem sob os cuidados da família Marques. Eu jamais permitiria que faltasse alguma coisa a ela.

— Faz décadas que não coloco os pés em Oeiras. Esta cidade mudou tanto que eu mal consigo reconhecê-la. — Comentou Glória, virando o rosto para observar a paisagem urbana pela janela. A expressão dela escureceu um pouco. — E o calor abafado de Oeiras continua o mesmo de sempre. Um clima quente que chega a ser sufocante.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV