Despertando dos seus pensamentos, Ricardo voltou a atenção para Luana. Ela estava concentrada, segurando uma caneta enquanto escrevia o seu pedido na fita colorida que havia acabado de pegar.
— Ô moço bonito, não vai querer uma fitinha também para fazer um pedido? É baratinho, só quinze reais. O dinheiro ajuda a manter a igreja e ainda traz sorte! — Ofereceu uma dona sorridente que cuidava da banquinha, esbanjando a simpatia típica da região.
— Vou querer sim. — Concordou Ricardo. Ele pegou o celular, escaneou o código PIX impresso na plaquinha da barraca e completou o pagamento. — Pode cobrar a dela junto.
A vendedora entregou a fita nas mãos dele. Ricardo sacou a caneta-tinteiro que sempre carregava no bolso, traçou algumas palavras rápidas no tecido e, com gestos ágeis, amarrou a fita na grade de ferro da igreja. Todo o processo não levou mais do que alguns minutos, e Luana estava tão distraída com o próprio pedido que nem percebeu.
Quando notou que ele se aproximava, ela cobriu a fita com as mãos em um sobressalto.
— Não pode olhar!
— E por que não? — Perguntou ele, erguendo uma sobrancelha.
— O pessoal diz que, se outra pessoa ler, o desejo perde a força e não se realiza.
Ricardo ficou em silêncio por alguns segundos, processando a lógica dela, e então rebateu com a maior seriedade do mundo.
— Mas todas essas fitas amarradas na grade ficam expostas para qualquer um que passar por aqui ler. Seguindo a sua teoria, nenhum desses pedidos vai se realizar.
Luana ficou sem resposta. O argumento dele fazia tanto sentido que ela não conseguiu pensar em uma forma de retrucar.
Vendo a expressão frustrada e a testa franzida dela, Ricardo deu uma risada leve e virou de costas.
— Está bem, está bem. Eu não vou olhar.
Com o caminho livre, Luana amarrou a sua fita na grade. O vento soprou, fazendo o tecido colorido dançar junto com milhares de outros desejos anônimos. Ela voltou para o lado de Ricardo, tomada pela curiosidade, e se esticou para tentar ver o rosto dele.
— Você não vai escrever um pedido também?
— Eu já escrevi.
— Quando? — Perguntou ela, confusa.
Ele apontou com o queixo para um canto da grade. Assim que Luana virou o pescoço para tentar encontrar a fita dele, Ricardo cobriu os olhos dela com uma das mãos, puxando-a de leve para trás.
— Você mesma disse que, se alguém olhar, não se realiza.
— Ah, qual é! Me conta o que você escreveu, vai! — Insistiu Luana, recusando-se a desistir da fofoca.
— Senhora Glória.
A postura dele era de extrema humildade e respeito.
Glória Fonseca soltou um suspiro cansado, a voz rouca denunciando a idade avançada.
— Faz tantos anos que não nos vemos... Você envelheceu bastante. Pelo visto, as coisas não têm sido fáceis para a família Marques nos últimos tempos.
José deu um sorriso contido e abriu espaço, convidando-a para entrar no carro que os aguardava.
Já dentro do veículo, Glória massageava as têmporas com os dedos, enquanto a jovem ruiva ao seu lado cuidava de massagear as pernas da idosa para aliviar o inchaço da viagem.
— Como a Janice tem passado todos esses anos? — Perguntou Glória, quebrando o silêncio.
José olhou pelo espelho retrovisor antes de responder.
— Ela tem vivido muito bem sob os cuidados da família Marques. Eu jamais permitiria que faltasse alguma coisa a ela.
— Faz décadas que não coloco os pés em Oeiras. Esta cidade mudou tanto que eu mal consigo reconhecê-la. — Comentou Glória, virando o rosto para observar a paisagem urbana pela janela. A expressão dela escureceu um pouco. — E o calor abafado de Oeiras continua o mesmo de sempre. Um clima quente que chega a ser sufocante.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...