CAPÍTULO 86
Laura Strondda
Alex se afastou depois que saímos do quarto. Ele apenas respondeu o que o Tony perguntou, e ficava olhando para a gente, mas claramente a sua mente não estava ali.
O vi se afastar algumas vezes da sala, e percebi que chamou o médico para atender a Anita, não me envolvi.
Quando meu irmão foi embora com a sua família, vi a Katy sentada no banco da varanda e o Alex estava saindo de lá com a cabeça baixa. Dei um passo à frente para sentar com ela, mas estava chorando, e Alex fez um movimento com as mãos, que dizia para que eu não fosse até lá, então respeitei.
Fui para a cozinha, ele veio atrás, as funcionárias saíram.
— Eu contei a ela que Peter a pediu em casamento e disse que deveria aceitar! — falou sério, comecei a pegar algumas coisas para fazer um bolo. — O que vai fazer? — se referiu aos ingredientes, agora.
— Bolo, preciso de um doce que só eu faço!
— Não vai dizer nada quanto a Katy? — chegou mais perto, seu olhar era disperso.
— Não, você já decidiu por ela! Disse que a deixaria decidir e não deixou. — continuei fazendo o bolo. Alex segurou na minha cintura e me virou pra ele.
— Não conheço um homem que possa cuidar melhor dela, Laura. Mesmo que não tivesse dinheiro em jogo, eu o ajudaria de alguma maneira. Ela aceitou pelo dinheiro, mas depois vai me agradecer!
— Então aceitou?
— Sim, no final de semana teremos casamento. Vou ver alguém para organizar isso!
— Posso ajudá-la, já que agora não tenho mais trabalho!
— Obrigado. — ele ficou me olhando, comecei a bater o bolo, então me lembrei.
— Acho que não devemos matar a Anita sem que ela diga quem foi! — falei séria.
— Sim, passei o dia pensando nisso, pois não terei outra maneira de descobrir, assim fácil.
— Não pensei que ela fosse resistir tanto. Talvez deveríamos ter deixado ela separada do Albert, ele a influenciou.
— Vou assistir todos aqueles vídeos, talvez diga algo. Por enquanto vamos deixá-la sofrer. — sentou na cadeira, me olhando preparar a forma do bolo.
— Está bem, posso assistir com você! E, quanto a Anita, tenho uma ideia que ainda não falei... — nossos olhares se encontraram. — Meu pai tem uma vinícola e uma fazenda que não visitamos muito, pensei em deixar a Anita no chiqueiro da fazenda, por um ou dois dias, não quero essa mulher dormindo na mesma casa que eu!
— Tenho vontade de matá-la!
— Esse é mais um motivo para afastarmos ela mais um pouco. Já terminei aqui, vamos ver esses vídeos! — coloquei o bolo para assar, e depois fomos para o quarto, e Alex voltou a abrir o notebook.
Os vídeos daqueles pen-drive eram todos de Anita com o Robert. Ela sempre aparecia no escritório, pelo visto era o local que conseguiram gravar, eu só estava tentando descobrir, porquê a Maria gravou tudo aquilo? Será que não suportava mesmo, a Anita?
Olhei para o Alex, a sua expressão era péssima. Ele nem falava comigo, via tudo e ouvia calado. Em alguns momentos ele virava o rosto, a bigato de goiaba era uma vadia, deve estar sendo difícil de informações como essa entrarem na cabeça dele.
No segundo pen-drive, eram vídeos mais recentes, pelo visto, de quando o senhor Robert morreu.
— Você viu? Meu pai falou da herança, de um dinheiro alto, e a expressão dela mudou.
— Sim.
— Nessa época estávamos juntos, e ela me traindo com o meu pai... — Ele falou muito desanimado, preferi nem comentar que o pai dele não era flor que se cheire, também, pois pelo que entendi, ali ele já sabia do caso de Anita com Alexander.
— Em três vídeos apareceram pessoas ali depois que a Anita saiu, você reparou? — perguntei.
— Sim. Edoardo esteve lá, e estranhamente foram conversar em outro lugar. Também apareceu o seu pai, e depois dele o seu tio Hélio foi tirar satisfações sobre o acordo, é apegado com você?
— Não, tanto. Ele é com o Tony, mas a tia Larissa tem pavor desses acordos, deve ter conversado com ela. — respondi e ele ficou olhando.
— Não quero ver o outro pen-drive, essa sensação é horrível, não vou suportar! — ele fechou o notebook e jogou os pen-drives na gaveta, então entrou no banheiro e fechou a porta, não trancou com a chave, mas entendi que queria ficar sozinho.
Alex demorou, peguei meu celular e fiquei fuçando, até que ele saiu, tinha uma toalha amarrada na cintura, é um homem tão bonito.
Fui tomar banho, não demorei. Quando saí ele estava deitado, preferi não encostar, entendo que não está nos melhores dias. Porém, ele veio por trás e me abraçou, puxou o meu cabelo e beijou o meu pescoço.
— Fui tão idiota... — sussurrou.
— Você estava cego pela raiva, mas vamos descobrir quem fez isso e vamos punir! Não acho que foi a Anita, tem mais alguém envolvido.
— Vai ficar aí até de tarde, se mudar de ideia e quiser falar, você terá uma chance no final do dia! Caso contrário passará mais dias! — Laura falou, que vontade estou de matá-la!
— O lado bom é que tem comida! — Alex disse enquanto vinha com um balde e de repente jogou lavagem fedida à cocô que tinha em volta, lá do outro lado do chiqueiro. — Mas para comer precisa merecer! Comece a limpar o chiqueiro, que os soldados te darão o direito de comer com os porcos! — olhei incrédula, então de repente levei uma chicotada da Laura.
— Vamos! Comece a limpar, que a gente tem compromisso! — as minhas costas arderam, acho que cortou a minha roupa.
— ALEX, PELO AMOR DE DEUS, TENHA PENA DE MIM! SEMPRE QUIS O SEU BEM, ME TIRA DAQUI! — gritei.
— Você me deu muitos motivos, Anita! Até tentou me envenenar, não esqueci disso e de tantas outras coisas que fez! Pra mim você já morreu. Seja sensata e diga logo o que sabe, então poderá morrer em paz, caso contrário não morrerá! Terá os membros amputados e o médico cuidará para que não morra! — todos viraram as costas, mas dois soldados ainda ficaram nas portas, e eu comecei a me desesperar.
Me empurraram para entrar mais, eu estava literalmente num banhado de cocô, então soltaram muitos porcos enormes e eles vieram para cima de mim, me empurrando até que caí no chão, e as portas foram fechadas só comigo lá dentro.
Olhei para mim mesma, aqueles bichos enormes querendo me pisotear, me empurrar, então gritei:
— EU DESISTO! DESISTO! ALEXXXX! EU CONTO! EU CONTO QUEM MATOU O SEU... — levantei apressada, bati o corpo na janela, mas eu estava sozinha. Os carros já haviam ido e os soldados me deixaram presa nesse fedor insuportável, toda suja, machucada e porcos curiosos pra cima de mim. Assim que ele voltasse, eu acabaria com esse sofrimento.
Alexander Caruso
— Vai ajudar a Katy? Eu preciso ir para o escritório... — falei para a Laura quando saímos.
— Sim, vamos dar uma volta, assim que me deixar em casa!
Deixei a Laura em casa, e fui para o escritório do reduto. Meu sogro estava lá, Don Antony, Hélio e alguns membros.
Percebi que ficaram me olhando, até que ouvi alguém:
— Já resolveu o assunto daquela mulher? Matou sua prima, ou só torturaram? — Pablo perguntou e se sentou.
— Ela sabe quem matou o meu pai, não vou deixá-la morrer sem que diga. — falei firme, me lembrando como se fosse um filme, de tudo o que Anita havia aprontado, ela merecia cada castigo que lhe aplicamos.
— Mas, porquê? Pretende se vingar do assassino? — Hélio perguntou parando na minha frente, então expliquei:
— Sim, até agora não descobri nada. Esse maledetto deve ser um miserável, mal amado que também pensava em roubar o dinheiro da nossa herança. Um verme desses não merece viver, precisa ser esmagado como um inseto! E, pode ter certeza de que não vou poupar forças para isso! — falei, mas uma voz atrás de mim, me tirou completamente o controle quando começou a falar:
— Pois então, vamos resolver esse assunto de uma vez! Fui eu quem matou Robert Caruso! — senti o meu corpo gelar, os movimentos das minhas pernas sumirem, a minha cabeça ficou ligeiramente tonta, a vista turva. Eu jamais esperei por ouvir aquilo naquele momento, a pessoa que tanto procurei estava agora atrás de mim, eu só precisava me virar, e de repente muitas armas foram levantadas, menos a minha...

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